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Mostrando postagens de Abril, 2017

Boletim Letras 360º #216

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Acontece hoje na página do Letras no Facebook, de onde foram copiadas as informações que dão forma a este Boletim o sorteio de um exemplar do livro que reúne toda a obra poética mais inéditos de Hilda Hilst. Da poesia, editado pela Companhia das Letras chegou às livrarias nesta semana. Em breve disponibilizaremos um sorteio com a edição que traz todos os contos de Dostoiévski recém-editada pela Editora 34. O sorteio deste livro será realizado entre os membros do grupo do Letras no Facebook e não na página. Ainda sobre promoções, o blog, em parceria com a Editora Rádio Londres sorteia um kit de marcadores. As informações sobre este sorteio, que acontece em maio, estão na página do Letras no Facebook.


Segunda-feira, 24/04
>>> Brasil: Um galardão para a literatura e a ilustração infanto-juvenil
Seguindo o modelo do Prêmio Camões, fruto da parceria entre Brasil e Portugal, a Biblioteca Nacional organizará o "Prêmio Monteiro Lobato de literatura infanto-juvenil". Criado …

Weldon Kees

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Weldon Kees levava consigo um poeta. O problema é que também levava um cidadão respeitável de Nebraska deveria ser, que tanto temia ser. Era filho de ricos, boy-scout, era igualzinho a Howard Hughes, escrevia, pintava, tocava piano, dirigiu filmes, mas o que o tinha à sua frente via só decoro e opacidade. O poeta que levava consigo se levantava gritando, mas fora só se via um vendedor de seguros. Elizabeth Bishop o levou certa vez a visitar o Ezra Pound no sanatório e este gritou ao vê-lo: “Por que diabos me trazes um vendedor de seguros?”
Todos o conheceram, ponta a ponta do país, mas todos se deram conta tarde, muito tarde, quando Kees já havia se esfumado no ar, aos quarenta e um anos no dia 19 de julho de 1955: a polícia de San Francisco encontrou seu Plymouth abandonado, com as chaves na ignição e a porta aberta, ao lado da Golden Gate. Em seu apartamento encontram meias postas para secar dentro do banheiro e o seu gato. Não estavam nem a carteira, nem o relógio, nem o saco de …

Tarântula, de Bob Dylan

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Por Pedro Fernandes


Este livro participa de duas constantes muito caras à narrativa contemporânea. Primeiro, é a impossibilidade de realização, ao menos no sentido tradicional segundo o qual narrar é contar uma história e, logo, toda narrativa se desenvolve entre um motivo, um elemento desencadeador, e um fim, que não é necessariamente uma conclusão do relatado; e as infiltrações do discurso poético na prosa que aqui funcionam ora como se uma espécie de refrão para o texto, apenas no sentido de uma marcação entre uma massa textual e outra, ora como o próprio poema em sua estrutura e forma predominante, isto é, a organização em versos e estrofes.
Apesar de denominado pelo autor como um romance porque está entre “tudo aquilo que eu não posso cantar e é longo demais para ser um põem”, o leitor não encontrará em Tarântula uma história como começo, meio e fim, ainda que fragmentária como é comum a muitas narrativas desde a descoberta sobre a descontinuidade do discurso psicológico. Também …

O efeito Buddenbrook

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Por Rafael Ruiz

No mundo empresarial se conhece como efeito Buddenbrook a progressiva decomposição de uma empresa familiar descendida da terceira geração, que leva dos avós (fundadores e verdadeiros artífices do feito) aos filhos (que já introduzem a primeira variável debilitadora com a chegada dos genros e noras) e aos netos, com quem, geralmente, a dita empresa familiar é definitivamente liquidada, se não dilapidada. O termo naturalmente provém dessa delícia que é Os Buddenbrook, romance publicado em 1901 e a melhor obra de Thomas Mann com permissão de A montanha mágica.
Os Buddenbrrok se constitui por uma observação minuciosa do declínio de uma família burguesa e seu negócio familiar, com um mínimo detalhe tão exaustivo e uma exigência de igual proporção ao leitor que tem pelo menos de deixar de fazer qualquer coisa se realmente se decidir em lê-la. É bem conhecido que Os Buddenbrook se encontra inspirada na perda paulatina do poder e patrimônio da própria família de Mann. Inicialm…

As viagens transformadoras de Paul Bowles

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Por Emma Rodríguez




No começo de O céu que nos protege, sua obra mais célebre, Paul Bowles, deixa claro que a diferença fundamental entre o turista e o viajante reside no tempo: “Enquanto o turista geralmente volta depressa para casa ao fim de algumas semanas ou meses, o viajante, que não pertence a um lugar mais do que a outro, se locomove devagar, ao longo de períodos e anos, de uma parte da terra a outra”, diz o narrador do romance, quem também apresenta outra distinção: o turista “aceita sua própria civilização sem questionar; não é assim com o viajante, que compara o seu país com os outros e rejeita os elementos que não estão a seu gosto”. Nesta breve e certeira argumentação se esboçam não só as características do Bowles viajante mas sua maneira de compreender a existência.
“Meu interesse pelas culturas estrangeiras era ávido e obsessivo. Estava convencido de que era benéfico viver entre pessoas cujas motivações não entendia; tão irracional convicção era sem dúvida uma tentativa d…

Numa folha, leve e livre – de António Ramos Rosa

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Por Pedro Belo Clara


Conta-se já perto de quatro anos desde o falecimento deste poeta maior do universo literário português, e dado que ainda não havia merecido destaque neste nosso espaço de discussão tem-se agora como imperial o ajuste de tamanha falha.
Ramos Rosa nasceu na cidade de Faro, no Algarve, em 1924, vindo na década de sessenta a radicar-se definitivamente em Lisboa. Nunca terminou o ensino secundário por motivos de saúde, embora tenha desempenhado funções como empregado comercial, professor e tradutor, antes de se dedicar em pleno à prática poética, ofício no qual entrou como um assumido autodidacta – não obstante o ensaio e o trabalho crítico, áreas também merecedoras da sua atenção. Entretanto, um certo talento para o desenho foi gradualmente surgindo nos intervalos da escrita, como o próprio admitiu numa entrevista datada de novembro de 1996: «Eu faço uns desenhos que são rostos e faço-os com uma grande espontaneidade: são automáticos e confluentes». Sobre este aspecto…

Boletim Letras 360º #215

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As notícias que circularam durante a semana em nossa página do Facebook. E ainda estão abertas as inscrições para participar da promoção que sorteia um exemplar do livro Da poesia, Hilda Hilst, edição que reúne toda a obra poética da escritora e inéditos. 

Segunda-feira, 17/04
>>> Brasil: Desconhecida no Brasil, não mais
Scholastique Mukasonga é uma escritora tutsi de Ruanda nascida em 1956 e residente na Normandia, França. Foi sobrevivente dos massacres no Ruanda ocorridos na década de 1990. Autora de uma obra que inclui romances, poesias e contos, seu nome foi anunciado como participante na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Até então desconhecida no Brasil, a obra de Scholastique ganha tradução de dois títulos, a sair pela Editora Nós: os romances Nossa Senhora do Nilo, que surpreendeu ao vencer o prestigiado Prêmio Renaudot, em 2012, e A mulher de pés descalços (2008), em que homenageia a sua mãe, morta no genocídio.
>>> Brasil: Muitos russos a camin…