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Mostrando postagens de Julho 6, 2016

As mulheres de James Joyce

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Por Gonzalo Lizardo


Congruente com suas convicções estéticas, James Joyce foi um lúcido observador do mundo e esteve intrigado com os mistérios da alma feminina. Numa carta hoje famosa, Jung o elogiou pelo conhecimento do feminino que exibia no último capítulo do seu Ulysses: “suponho que a avó do diabo sabe tanto assim da psicologia real da mulher, eu não sabia”, escreveu surpreendido pelo comportamento dessa senhora irlandesa, Molly Bloom, que além de ter uma bela voz e de ser uma mãe amorosa, pensava e sentia sem falsos pudores, consciente dos seus próprios desejos e daquilo que inspirava nos outros: uma mulher imune ao juízo alheio, que sabia valorizar a si mesmo com a verdade de seu corpo, de seu amor e do seu canto.
A personagem de Molly deve ter sido muito provocadora para a sociedade irlandesa de seu tempo, onde toda mulher decente estava presa às inflexíveis virtudes do catolicismo. Contra esse protótipo, Molly / Nora não é submissa, casta, espiritual nem religiosa. É caseir…