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Os primeiros contos de Truman Capote

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Por Rafael Narbona


Sócrates atribuía sua sabedoria a um daimon ou divindade menor, que lhe inspirava em suas indagações e disputas dialéticas. Truman Capote também afirmava que um “demônio interior” lhe possuía desde criança, instigando-lhe a escrever. Filho de uma mãe alcoólatra e instável, nunca conheceu o sossego de um lar fixo. Sua infância e primeira adolescência se caracterizaram por uma existência nômade e traumática, semelhante a de Perry Smith, um dos assassinos de A sangue frio.
Baixinho, espevitado e frágil – a escrita o salvou da loucura que devastou a mente de sua mãe, mas não do álcool e das drogas. Familiarizado com o sofrimento desde criança, sempre se identificou com as personagens marginais: negros, pobres, desempregados, velhos, doentes. Sua empatia com seus pares se acentuou ainda mais quando tomou consciência sobre a homossexualidade, algo inaceitável no interior do Sul estadunidense, fortemente marcado pelo puritanismo e o racismo.
Capote declarou muitas vezes …