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Mostrando postagens de Maio 16, 2016

Emily Dickinson, uma vida que se prolonga

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Foi o anjo da guarda das letras estadunidenses e está no centro da linha que vai de Anne Bradstreet a Sylvia Plath, a meio caminho entre o puritanismo e o suicídio. Mas amava a vida e aqueles eram tempos heroicos, com o estrondo da guerra civil ao fundo e o fragor dos baleeiros ou as emboscadas dos índios. Eram os dias de Moby Dick e O último dos Moicanos; a época dourada de Folhas de relva e no centro daquele vendaval criativo uma menina se tranca em sua casa de Amherst, em Massachusetts, nos arredores de Boston, e se põe a escrever, se dedica a fazer literatura e conta a um papel o que lhe passa.
Escreve alguns textos de corte intelectual, apesar de sua aparente sensibilidade. Repletos de uns traços que dão uma sensação de trêmula  cadência. Cria uma escrita difícil e exigente em que narra as pequenas tragédias da vida cotidiana, sem títulos, sem pretensões editoriais. Repetem-se as perguntas obsessivas, volta-se para a autocensura e a compaixão, numa indefinível paisagem de perda…