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Mostrando postagens de Abril 22, 2016

Polifonia e sectarismo em A Brincadeira

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Por Rafael Kafka


A Brincadeira, de Milan Kundera, é um romance construído de forma bastante engenhosa e que se caracteriza por reunir alguns temas recorrentes na obra do escritor tcheco. Temos presentes neste romance os jogos de amor, as questões existenciais ligadas ao ego e à identidade e a crítica aos regimes totalitários de esquerda que encabeçados pela União Soviética dificultaram demais a vida dos habitantes do leste europeu.
A história gira em torno de Ludvik, um homem que quando jovem pertenceu ao quadro Partido Comunista. Todavia, em dado momento, ele faz uma brincadeira de aparência inocente e fútil em uma carta enviada a uma antiga namorada. A peça consiste em citar uma frase de Trotski, inimigo mortal dos comunistas stalinistas, o que é descoberto por membros da comunidade acadêmica da qual Ludvik faz parte. Levado a juízo, é expulso do partido e tem o direito de seguir os estudos negado, tornando-se uma espécie de pária na sociedade tcheca.
O relato de Ludvik se dá anos de…