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Mostrando postagens de Abril 13, 2016

Aqui jaz uma amante

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Por Marina Enriquez 

No dia 11 de fevereiro de 1963, a enfermeira que ajudava Sylvia Plath não teve resposta quando tocou a campainha do apartamento da poeta, o n. 23 da Fitzroy Road. Haviam sido meses difíceis para Sylvia: desde setembro do ano anterior estava separada de Ted Hughes, tomava antidepressivos receitados por seu médico John Horder – o mesmo que havia recomendado a assistência de uma enfermeira – e vivia num estado muito vulnerável com seus dois filhos, Frieda, de dois anos, e Nicholas, de nove meses. O inverno londrino havia sido o mais frio em anos – congelava a água nas tubulações, as crianças estiveram doentes. Ela, apesar de tudo, escrevia com furor os 26 poemas que só seriam editados postumamente no livro Ariel.
A enfermeira pediu ajuda a um pedreiro que trabalhava numa obra próxima e quando conseguiram entrar no apartamento encontraram Sylvia morta, ajoelhada frente ao fogão, com a cabeça dentro do forno, intoxicada de gás de cozinha. As crianças estavam no quarto …