quinta-feira, 12 de março de 2015

Promoção mês da poesia





Esta promoção é dividida em duas partes.


PARTE 1

A primeira tem início no dia 13 de março com os leitores que acompanham o Letras no Facebook enviando-nos poemas. No dia 14, Dia Nacional da Poesia serão partilhados os 24 primeiros poemas. Até o dia 21, os quatro primeiros poemas mais partilhados levam à escolha um dos livros seguintes:

1. Poemas negros, de Jorge de Lima (Cosac Naify)
2. Meu quintal é maior do que o mundo, de Manoel de Barros (Alfaguara Brasil)
3. Dever, de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras)
4. A vaca e hipogrifo, de Mario Quintana (Alfaguara Brasil)
5. Tempestardes, de Leonardo Chioda (Editora Patuá)

PARTE 2

No dia 21, Dia Mundial da Poesia começa a segunda parte da promoção. Não teve chance de participar na primeira fase, pois participe dessa: desses títulos quais você gostaria de ganhar? Sertão sorteado também 4 leitores. Para isso (1) deve partilhar o aviso disposto no mural do Letras no Facebook, (2) vistar o álbum dos 24 poemas do Dia 14, escolher um poema e escrever nos comentários "No #DiaMundialdaPoesia eu quero ganhar o livro (diz o livro); (3) marca três amigos no comentário, e (4) partilha a imagem do poema. No dia 2 de abril divulgamos o resultado. Ah, e não pode esquecer de (5) inscrever-se para concorrer.

* As partilhas devem ser públicas.
** A promoção é válida apenas para leitores no Brasil.

Sniper americano, de Clint Eastwood



Onde está a glória de uma guerra? Não existe glória numa guerra. Onde está, numa guerra, o bem e o mal? Não existe lados numa guerra. Ainda mais se essa guerra for a mais recente comandada pelos Estados Unidos contra o Iraque sob a alegação estapafúrdia de combate ao terrorismo e às armas químicas.

Mas, Clint Eastwood contraria o bom senso e produz um filme que é uma louvação à guerra e soa, no fim de tudo, um trabalho patético pela maneira rasa como a narrativa desenvolve a questão e revalida toda uma estereotipia do típico herói estadunidense; só os Estados Unidos é signo da civilização e o resto do mundo é “selvagem” (para usar o termo designativo dos soldados em Sniper Americano em relação aos iraquianos).

Talvez isso tenha sido proposital? A cinematografia do louvor ao próprio ego (nacionalista) parece andar um pouco mal das pernas e o diretor viu aí uma chance de reavivar o espírito belicista de um país que, mesmo ameaçado por todos lados, insiste à fina força em se dizer os maiores e melhores do mundo e, para isso são capazes de deixar o próprio mundo num trânsito impassível (qual jogo de War) a fim de justificar a os meios de saída pela guerra.

O fato é que Sniper americano – pela natureza medíocre com que é desenhado – só há de servir para duas coisa: virar peça de videogame e servir de propaganda para os republicanos (sim, em nada se distancia das produções cinematográficas de enaltecimento do nazismo durante o regime de Hitler). E, claro, consolar uma família que tem na biografia o orgulho de ser herdeira do maior atirador das forças especiais da marinha, com o currículo glorioso de 160 mortes. Mas isso é glória? Há por detrás do filme, um livro, American Sniper, que parece ser outro título raso para mero engrandecimento de uma figura.   

Entre balas, invasão de casas, negociações fajutas e outras características comuns de uma guerra, o filme é ainda uma inútil defesa ao ódio, ainda que se diga que o país se envolve no conflito para matar o ódio. Se prende do início ao fim pela selvagem lei de Talião e pela figura de que todos os do Oriente Médio são maus e por isso não merecem confiança e, no mínimo detalhe, devem ser abatidos. Mas, e quantidade de inválidos que aparece no filme não seria um consolo para quem diz ser este um trabalho de enaltecimento à guerra? Não, não é. Porque mesmo os inválidos são tratados como heróis; quem, de uma maneira ou de outra, sobreviveu ao conflito e este à frente de defender seu país.

Mesmo estereotipada o que apresenta um indício de salvação da narrativa parece ser a figura feminina (sempre ela!). A única que representa um ponto de vista que destoa da barbárie e mesmo não pensando no outro (além do estadunidense), porque pensa no bem-estar da família, não consegue compreender a necessidade de o companheiro se deixar levar pelo discurso de proteção à nação para ir à guerra. Mas, fica nisso: finda por ser uma garota desprotegida que se envolve com o homem certo para constituir a família dos sonhos com kit completo: ursinho de pelúcia ganhado no namoro, e depois uma casinha branca, um casal de filhos e um cachorro.

As atuações são boas; a estrutura da narrativa bem construída. Todas as críticas negativas devem ser dirigidas para o ângulo ideológico porque o filme acaba por se reduzir a uma peça panfletária e cega de enaltecimento patriótico. E, parece que, não poderia ser outra forma; mas precisava ocultar a selvageria dos soldados contra civis? Precisava reforçar, necessariamente, a máxima do nós, os bons contra eles, os maus? E, agora, muito antes de todo esse amor à pátria, o que não deixa de ser enaltecido é, sobretudo, um modus vivendi tradicionalista do típico estadunidense. Mas a mistura entre patriotismo e tradição, infelizmente, não é bem-vinda.