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Mostrando postagens de Fevereiro 17, 2015

Que fazer se encontram Cervantes?

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Se o maneta de Lepanto vivesse até ao Prêmio Cervantes o dariam a Lope de Vega. Assim diz o escritor Andrés Trapiello, entre a raiva e o desespero. Sabe que é uma predição pessimista, mas não pode agitá-lo quando lhe mencionam que estão buscando com afã os ossos do Príncipe das Letras na cripta do convento das Trinitárias de Madri (ver ligações a esta post no fim do texto). E o que fazemos com tão famosa ossatura, se a encontrarmos? “Apareça ou não, é evidente que este país não a merece”.
No ano da graça de 1568, uma peleja violenta com espadas, muito ao gosto da época, deixa ferido, segundo alguns cervantistas, Antonio de Sigura, que era algo assim como o encarregado das obras do rei, e Felipe II dita um castigo de extrema severidade: que detenham Miguel de Cervantes, o condene a 10 anos de prisão e seja cortada sua mão direita. Saiu fugindo o perseguido até Itália, dizem algumas crônicas, escondeu-se entre os terços comandados por Juan de Áustria e, em vez da direita, foi perder s…

Nós, os carentes

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Por Abraão Vitoriano


Nós, os carentes, sofremos por basicamente tudo. Temos imunidade baixa: uma palavra sequer, mal colocada, é capaz de nos levar à enfermaria. Dormimos pouco. Falamos muito. Fazemos tempestade no balde de lágrimas.
Nós, os carentes, carregamos uma montanha de pensamentos, do mais diversos e criativos. Alcançamos os picos da sentimentalidade, obsessão e dramaticidade. Utilizamos com destreza todas as figuras de estilo: hipérbole, antítese, metonímia, paradoxo, ironia e comparação, talvez esta a mais doída.
Nós, os carentes, possuímos o gene da desconfiança, da “unha ruída”, da sensibilidade. Caso não liguem na hora marcada, arquitetamos um plano de morte, depois de imaginar as mil cenas de infidelidade, bebedeira, rejeição e chacota com a nossa imagem. De traumas ancestrais, temos um radar ligado e uma sirene nada discreta, que avisa à população terrestre qualquer desentendimento ou incompreensão entre o casal.
Nós, os carentes, somos crianças crescidas à espera de u…