segunda-feira, 7 de julho de 2014

Juiz

Por João Antonio



Cachorro!

A multidão ferve e grita. E xinga de vagabundo a homossexual, ladrão e negro. Passando por bunda-mole, imbecil, safado, arrombado, tratante, comprado e vendido.

Debaixo de um mormaço sem brisa, sem árvores e sem refresco, o herói entra em campo. Antes de qualquer gesto seu, é vaiado por todas as bocas, por todos os olhos, em saraivada, os punhos da galera socando o ar. O menor dos palavrões, um xingo grosso mandado, com raiva, para cima de:

– Sua mãe está fazendo a vida na casa de Zulmira, vagabundo! Lazarento!

Metido no uniforme preto, certinho, brilhante, mangas compridas, o poeta do momento sua no pescoço, nuca, carapinha, sovaco, nas partes, nos nove buracos do corpo e nos quatro cantos do corpo. Procura que procura, sem coçar a carapinha, manter as coisas, sustentar uma categoria e uma limpeza de caráter que não são suas e lhe estão longe.

Jacarandá sopra o apito, os jogadores se colocam e o jogo começa. Cinco minutos, não mais, o público do Vitorino dá trégua ao herói, se voltando contra um bandeirinha a quem atribui novas qualidades infamantes. Sexuais, na maioria.

No sexto minuto, a peça fraqueja, primeira vez, deixa de apitar uma falta do meia-armador visitante. O estádio lhe cai de pau:

– Negro sem-vergonha! Ladrão do meu dinheiro!

Suando e correndo, o pinta está a medo e a perigo. O povo engrossa xingos zangados, primeiros sacos plásticos ameaçam, voando da galera para a grama, nas laterais.

Parada. Era uma parada. O gajo planejara – seria rápido, mutável, aparentando firmeza e decisão. Dissimularia. Escalado para apitar aquele jogo, conhecendo na pele a rixa Londrina-Curitiba, Jacarandá acreditava – a princípio – na sua picardia e capacidade de manobra, teria um comportamento pendular, trocaria de política conforme as crises e as mudanças do vento. Acontece que em Londrina até os ventos são quentes.

Inda mais – o povo-povo não lhe perdoava a cor. Mulato, o poeta tinha pela frente noventa minutos de taxações violentas. Inda mais. Era encontro do Londrina contra a equipe forte da capital e o herói tentava compor com os dois lados, politicamente. Uma vela para Deus, uma vela para o capeta; uma vela para Deus, uma vela para o capeta; uma vela para Deus, uma vela para o capeta.
estrambelhou-se no sexto minuto e a partir daí meteu o olho arisco em cima do meia-armador do clube visitante. Na primeira oportunidade, meteu-lhe um cartão amarelo e, manhoso, tratou de expor quase metade do cartão vermelho no bolso da camisa preta, como lembrança ameaçadora. (Para os jogadores do clube da capital, é claro.)

Vista grossa para os locais, olho vivo e punitivo pregado nos visitantes. Mas os de fora deram para jogar melhor, investindo sempre e, num lance na área pequena, em que estava enfiado o meia-armador, houve porrada feia e Jacarandá não apitou um pênalti contra o Londrina. O clube visitante chiou, o capitão da equipe, físico taludo, foi às falas com o poeta. Dissimulando, mãos para trás, feito um colegial, o capitão sapecou-lhe um esporro. Uma esparrela redonda, arretada, exemplar, inteiriça:

– Cachorro, filho da mãe, morfético! Você apita essa porcaria direito ou vou lhe espetar lá fora! Acabo com sua raça, seu negro!

O meia-armador aproveitou o embalo, serviu-se. Foi se chegando para a peça, mãos jogadas para trás:

– Você está na caixinha, safado, negro salafrário! Mas não perde por esperar.

Jacarandá passou a correr atrás de uma ordem que ele mesmo bagunçou, no começo. Tropeçando, desnorteando-se em erradas, ia precariamente, desmoralizado. Dando azar, picotando a partida com interrupções fora de hora, repetidas, que irritavam. O jogo caiu para o marasmo. Na marca dos trinta minutos, os jogadores não queriam nada com a bola, o povo vaiava tudo, incomodado pelo calorão do estádio sem árvores e sem brisa. O sol batia de chapa, castigava as caras aporrinhadas, azedas.

O meia-armador tesourou o centroavante londrinense e Jacarandá vacilou, deixou correr frouxo. Vacilou, dançou. O povo da galera explodiu:

– Expulsa, ladrão! Bota pra fora! Vagabundo, sua mãe está se virando na casa de Laura! Lazarento!
O gajo ensaia nova composição. Numa falta dos visitantes, expulsa um lateral esquerdo, até ali o jogador melhor comportado dos vinte e dois. Engole novo esporro do capitão da equipe que ameaça com um bolo de jogadores. Forma-se a roda, a casa de caboclo, Jacarandá no centro. Disfarçadamente, alguém lhe chuta o cotovelo e o herói não esconde uma careta.

O tenderepá se dissolve, ele antecipa o final do primeiro tempo, rouba três minutos, é o primeiro a sair de campo, orelhas ardendo, passo meio corrido. Nem os bandeirinhas estão falando com Jacarandá e a peça tem quinze minutos para ouvir, em solidão e medo, no vestiário dos árbitros, os comentários das rádios, que o taxam de incompetente, pulso froxo e figura lamentável. A linguagem esportiva expunha, com gozo, momentos de seu gritado brilhareco tradicional, empostado, gula pelos efeitos frenéticos:

– Sua Excelência, Jacarandá Bandeira, é responsável por uma partida de futebol que descambará fatalmente ou para o marasmo ou para a violência. Esta contenda poderá tomar rumos imprevisíveis.

O herói ouvia encolhido, imaginando composições novas com as duas equipes. Que alguma o salvasse. Voltou a campo e teve, em quarenta e cinco minutos, que ouvir cerca de duzentas vezes o mesmo xingo. O negro gritado com nojo e escárnio, acompanhado de vários complementos – safado, ladrão, cascateiro.

Não se distrair, evitar uma visão e um pensamento que o apavoravam. O gajo teimava em não olhar para a galera, fixar e dançar os olhos só no jogo. Mas houve um momento. Deu, sem querer, de olhos para o povo e o pensamento ruço lhe correu, dando frio no espinhaço. Aquela gente furiosa não iria esfolá-lo vivo?

A multidão lhe atirava coisas, além de nomes. Perdido o rebolado, Jacarandá deu para interromper suas corridas, coçar a carapinha já não disfarçando que tudo estava por um fio. Correu para a marca do escanteio e lhe acertaram, em cheio, um saco plástico de água que estalou como um soco.

Vinte minutos, nova discussão – expulsou o centroavante dos visitantes. Levou xingamentos reforçados e ameaças de uma boa surra. Daí para frente, o ritmo se precipitou. Cartões amarelos, fuás, polícia interferindo, jornalistas botando mais lenha no fogo com suas máquinas e fios. Jacarandá Bandeira levou dois trompaços do capitão visitante na marca dos quarenta e cinco minutos finais. Teria sido surrado não saísse pulando, bufando, suando, escafedendo-se, enfiando-se no vestiário dos juízes. Ali, escondido, medroso, apequenado, deixou o tempo correr, banho mais longo de sua vida.

Uns pensamentos lhe batiam, arrevesados. Onde, em que teria errado? Nas composições, nas manobras, na parcialidade – ou não fora nada disso, a bronca do povo não estaria mais voltada para a cor de sua pele e o errado não teria sido ele, ao se meter no mundo das arbitragens, jogadas afinal do domínio dos brancos naquele futebol em que o negro entrava como jogador e força de trabalho? Isso, talvez isso, certamente assim, nada mais. Onde errara, não havia feito o joguinho e as vontades da equipe local, não fizera o joguinho que lhe pediram, as coisas não haviam pendido sempre para o clube da terra? Onde estava o erro? Mas esses pensamentos não tinham linha reta na cabeça de Jacarandá, embaralhavam-se repetidamente na carapinha molhada. O herói talvez desconfiasse, em confusão, que havia feito, de uma maneira ou outra, bobagem grossa ao se meter em jogadas de brancos.

Contava e já contava com a proteção policial. A bem dizer, até a temia – afinal, o jogo não dera um ganhador – e a polícia era local.

Esfriou mais. Um dos bandeirinhas lhe boquejou, baixo, sinistramente. Provável, na saída do Vitorino. Encontraria um dirigente do clube visitante para um acerto de contas. Na base do conversar e discutir. Só que o cartola, violento dono de rinhas, fazia fama pelas soluções lançando mão de um trinta e oito de cabo de madrepérola. O herói  tremia debaixo do chuveiro. Arrepiado, arrepiadinho.

Jacarandá Bandeira está só. E bem. Dá um tempo. Dá mais um tempo. Depois mais um.

De tempo em tempo, duas horas, e já com a lua no céu, o gajo enfrentou a saída do estádio. Lá fora, na noite quente, deu sinal com o braço, o táxi ia parando.

Aí, saídos Jacarandá não viu de onde, o pegaram.

– Negro safado!

Foi batido até o desmaio e recordado à ponta de cigarro. Descobriram, furiosos, que só desmaiara e a tunda dobrou, rápida, maciça, antes da chegada dos cassetetes da polícia. Então, os surradores deram no pé, em várias direções e um deles ainda escarneceu numa ponta de rua mal iluminada. O xingo ficou, indo e voltando, na caixa de pensamento de Jacarandá Bandeira. Doendo.

– Negro!


* Este conto escrito por João Antonio também serviu de argumento para o filme produzido pela Luz de Arte & Associação Internacional de Cinema e TV. O conto “Juiz”, publicado no livro A palavra é...Futebol, organizado por Ricardo Ramos, pela Editora Scipione, 1990.

O novíssimo testamento (e outros poemas), de Jorge Sousa Braga

Por Pedro Belo Clara



Em primeiríssimo lugar, e porque a existência desta coluna quinzenal exige a aplicação dos traços de uma seriedade sóbria, expor-se-ão as devidas evidências sobre a obra e o autor hoje em discussão.

Vejamos: lançado ao público em Abril de 2012, o presente trabalho, de índole poética, poderá não ser considerado, por diversas personalidades versadas em assuntos literários, um dos marcos principais da carreira deste autor nascido na cidade que lhe dá o nome e que como profissão diária elege a de médico obstetra. Contudo, a uma certa originalidade e convicção criativa, que servem de sustento à obra, nenhum leitor poderá permanecer indiferente. 

Tanto que o presente trabalho, em certos aspectos, assume uma ruptura (provavelmente não definitiva) com alguns dos habituais traços poéticos exercidos por Sousa Braga, nomeadamente o emprego de vocabulário representativo dos instantes de intensa intimidade amorosa e o recurso a um léxico instigador de significativos impactos  em quem os ler (para muitos, obscenos), algo que, em termos globais, tende a ser omitido pela maioria dos autores. Basta, para tal, recordar a célebre “Epístola sobre a merda” (que em 2007 foi publicada na revista Poesia Sempre) ou o título do livro editado em 1980, aquele com que deu início à sua carreira escritor: De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu. Um homem directo e desprovido de preconceitos, como se conclui.

Uma vez que o estimado leitor já terá por ora compreendido os termos com que anteriormente nos tentámos expressar, seguiremos com o devido enfoque na obra em questão.

A bem da verdade, ao longo da mesma, excluindo as características atrás referidas, agora ausentes, o cunho habitual de Sousa Braga faz-se sentir ao longo de cada poema, principalmente ao nível da sua construção. A pontuação, amiúde inexistente, e o recurso a versos ditos “fragmentados”, quebrando o ritmo harmonioso que uma fluida leitura poderia sugerir, de um modo que as sílabas que os compõem aparentam ser privilegiadas em detrimento da musicalidade verbal, são os exemplos mais flagrantes. Acresce a esse facto o recurso, nem sempre usual, ao verso longo e a preferência – talvez obstinação – pela rima, quase cruzada, somente no término de cada poema (a poesia é livre e sem rigidez métrica). Embora se compreenda a doce harmonia com que a rima é capaz de impregnar um poema, essa opção assume por vezes um risco algo elevado, já que o seu uso nem sempre se consegue despojar da sensação de “emprego forçado”.

Nada nos olhos escuros
e pequenos revela a sua

via sacra Veste umas calças
coçadas um colete de malha

com manchas de tinta
Iluminam o atelier

alguns focos de luz...
O pintor olha-nos fixamente

pendurado na cruz

(Estudo para o retrato do pintor Albuquerque Mendes)

Não estaremos, é certo, perante a mais distinta obra de Jorge Sousa Braga, vencedor do Prémio Gulbenkian de Literatura Infantil com Herbário (1999) e tradutor de nomes como Bashô e Jorge Luís Borges, até porque a um autor é impossível editar obras-primas com uma ímpar consecutividade, mas este conjunto de vinte e seis poemas, divididos em três partes, detém em si um agente diferenciador que merece toda a nossa atenção e, subsequentemente, o prazer de uma serena leitura.

Apresentam os poemas uma boa coerência entre si, pelo que nenhum deles imprime um desfasamento aos temas ou às sensações por outros sugeridas, embora seja notório a pouca homogeneidade em termos de intenção, força ou impacto. Não que tais valências se ausentem por completo; apenas são registadas e como trunfos assumidas por alguns poemas da obra. Sobeja assim a sensação de que tal consistência, a existir, reforçaria, de sobremaneira, o carácter mais vincado do trabalho em causa. Mas, em todo o caso, o autor assume as suas escolhas (e bem se sabe o quão difícil poderá ser assumi-las), pelo que tal acto é condignamente, goste-se ou não, merecedor da nossa tolerância e respeito. 


O poema que dá o nome à obra é igualmente aquele que a abre: “O novíssimo testamento”. Não é à toa que na epígrafe se acrescenta “e outros poemas”, tendo em conta a centralidade do referido poema. É claro que títulos como este remetem o imaginário do leitor para cenários e motivos bíblicos. Sem qualquer erro, essa percepção é acionada. E muito justamente, diga-se, já que a suposta intenção do autor encontra assim a sua realização. Desse modo, não se estranha a presença de certas referências ou até mesmo vocábulos como “Sermão da montanha”, “Salmo”, “Epístola” ou “Génesis”. De certo modo, Sousa Braga parece desejar reescrever, por suas próprias rimas (ainda que escassas) e versos, aquilo que o católico comum sempre conheceu. A razão de tal surge impressa, em estilo de inscrição, no poema que temos vindo a referir: «Para acabar de vez com os direitos humanos / e restaurar os direitos divinos». Não só por esse motivo, mas também pela toada que confere à obra em geral e à envolvência que imprime, este poema, o de abertura, escrito como um testamento composto pelo «sangue / do último dos genocídios», embora não seja propriamente complexo, mas um trabalho fértil e pleno de substância, dos mais longos deste livro, merece veramente que o leitor sobre ele se debruce e escave todas as suas reentrâncias em busca dos mais ocultos sentidos.

Em suma, toda a primeira parte de O novíssimo testamento (e outros poemas) é versada sem esoterismos obscuros ou infundados, mas com laivos de místicas intenções e simbólicos motivos, naturalmente mais religiosos do que espirituais, ainda que tão ténue possa ser a fronteira que diz separá-los. Sem transcendentalismos, mas com uma metafísica subentendida, esta poesia de inclinação prosaica revela muitas vezes a sua natureza indagadora. O poema “Salmo”, por exemplo, parece nascer de um desses caminhos de redoma quase sem fim que buscam um entendimento, uma íntima causa, uma derradeira solução, já que nele o autor se debruça sobre as causas do maior dos sacrifícios, rejeitando, contudo,  a sua incidência: «Não foi por mim que deixaste que te pendurassem na cruz (…) / (…) É uma herança demasiada pesada / para se deixar a alguém». Em todo o caso, deste exercício parece conseguir-se o soerguer do essencial: a reformulação, o refundar, o recriar. Afinal, a renovação impõe-se. Uma nota final, breve, para as duas epístolas do capítulo, ao silêncio e ao mar, que compõem uma criativa forma de anexar breves haikus num só poema, pleno de intenções visuais e, claro, contemplativas.

Nestas ervas                                       O coração do mar
só o silêncio                                        é um cemitério
se pode deitar                                     de navios e de luar


A segunda parte desta obra marca uma súbita ruptura com o anterior capítulo. Aqui, desenvolvem-se epitáfios e demais divagações de índole fatalista, onde a morte e o seu fatídico simbolismo mais se fazem sentir. O poema de abertura, “Valsa da Morte”, ensaia o tom para a breve melodia do também breve volume. Importa aqui destacar, pois mais que nenhum outro em particular este, no presente volume, se destaca, o poema “Em nome do pai”, um pungente retrato/relato dos últimos dias de vida do pai do autor, concluído habilmente com a ideia plasmada da sensação que, no fundo, é o sobejo da própria morte: a ausência («Mas o banco continua vazio / demasiado vazio... / No fim da noite / corre um rio»).

A terceira e última parte retoma, em parte, os temas anteriormente expostos, se bem que não se consolida como uma súmula dos mesmos – somente um útil complemento. Assim, tem a honra de a abrir o singularmente belo “À Cristina”, um poema singelo escrito ao estilo de um epitáfio, embora as razões do mesmo não sejam propriamente claras. Isto é: a linha entre dedicatória e elogio fúnebre encontra-se algo diluída, ainda que a última hipótese, pelo léxico escolhido, ganhe uma força especial: «Se os anjos soubessem pintar / ela seria um anjo (…) // (…) Persistente / como é há-de ensinar // os anjos a pintar». Mas também assistimos à exaltação dos elementos da natureza, como em “Agapantos” («(...) um fogo-de-artifício rente / ao chão como se inteiros // os dias te explodissem na mão»), e à aguda tristeza fomentada pelo simples render das estações, de que “Dias sem árvores” é um óptimo exemplo («sem plátanos tílias liquidâmbares / robínias numa moldura de frio»). De certa forma, a pluralidade temática da obra conhece aqui uma digna manifestação. O tempo da infância (“Ventelas”) e a frustração que decorre do desejo ou intento constantemente negado (“O semáforo vermelho”) são igualmente exploradas neste derradeiro capítulo.

A escrita de Sousa Braga é maioritariamente simples e directa. Embora não seja propriamente rica em metáforas, a construção do verso é um dos motivos de admiração do trabalho poético deste autor que muito recentemente desenvolveu a sua principal antologia que já conta com mais de trezentas páginas - O Poeta Nu. Ainda que a poesia, «a mais daninha das ervas» (“Erva daninha”), seja uma essência naturalmente livre e indomável, o seu exercício neste trabalho propõe, essencialmente, um acto de reflexão, mas só quando não serve propósitos evocativos, celebrativos ou meramente confessionários. Transcrevemos, para o efeito, a metáfora existencial erigida nos moldes de uma questão em “Braga, cidade santa”:

O que fazias tu
sentado no banco de trás duma limousine negra
que circula a cem à hora numa rodovia
sem ninguém ao volante?

Em todo o caso, longe de ser um épico do género, O novíssimo testamento (e outros poemas) é um livro que amplamente justifica a aventura literária a ele latente.

***

Pedro Belo Clara é colunista do Letras in.verso e re.verso. Por decisão do editor do blog, nos textos aqui publicados preservamos a grafia original portuguesa. Nascido em Lisboa, Pedro é formado em Gestão Empresarial e pós-graduado em Comunicação de Marketing. Atualmente centrado em sua atividade de formador e de escritor, participou, com seus trabalhos literários, em exposições de pintura e em diversas coletâneas de poesia lusófona, tendo sido igualmente preletor de sessões literárias. Colaborador e membro de portais artísticos, assim como colunista de revistas e blogues literários, tanto portugueses como brasileiros, é autor dos livros A jornada da loucura (2010), Nova era (2011), Palavras de luz (2012) e O velho sábio das montanhas (2013) – sendo os dois primeiros de poesia. Outros trabalhos poderão ser igualmente encontrados no blogue pessoal do autor – Recortes do Real (artigos e crônicas diversas).