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Mostrando postagens de Abril 8, 2014

Bom dia, camaradas, de Ondjaki

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Por Pedro Fernandes

Até a publicação deste romance, Ondjaki só havia lidado com a poesia e a prosa curta – havia publicado títulos como Há prendisajens com o xão (2002), Materiais para a confecção de um espanador de tristezas (2009), poesia marcada pela leitura de nomes como Manoel de Barros, e Momentos de aqui (2001), E se amanhã o medo (2005), contos. Sua vivência nesses outros gêneros certamente foi o que lhe deu suporte para o romance. E isso está muito marcado neste Bom dia, camaradas: é uma narrativa breve com certa incidência poética, embora não esteja no poético a marca distintiva da literatura romanesca do escritor angolano, assim como parece crer, ingenuamente, parte da crítica.
O lirismo, especificamente no caso do texto que comentamos aqui, é decorrente do elemento narrativo elegido pelo escritor para dar pulsão às ações. Bom dia, camaradas é narrado por um menino em fase de travessia da infância para a adolescência – travessia que se confunde com o momento histórico que …