sábado, 5 de abril de 2014

Boletim Letras 360º #59

Fotografia inédita de Charles Baudelaire recém-descoberta. Saiba mais informações
sobre ao longo deste Boletim. 

Semana marcante; talvez a mais de 2014. Basta dizer que começamos na segunda-feira com um centenário e fechamos na sexta com outro. Octavio Paz e Marguerite Duras. Dois gênios (no real sentido que é conveniente o uso do termo). E, por isso, foi um corre para lá um corre para cá para oferecer aos leitores alguns fotogramas da vida e da obra dos dois escritores. Isso está marcado nas publicações em nossas redes sociais e aqui no blog. Mas, além disso, as notícias no universo da literatura, das artes e correlatos foram muitas. Umas boas outras nem tanto. Vamos lá?

Segunda-feira, 31/03

>>> Brasil: Contos em alta

Tem curto tempo que circula on-line nas redes sociais a série de contos Formas Breves. Idealizada por Carlos Henrique Schroeder, atual editor da Revista Pessoa e curador do Festival Nacional do Conto do Conto, a série da e-galáxia tem se mantido em alta nas principais lojas que trabalham com edição eletrônica. Sim, o formato destes textos são exclusivamente para essas parafernálias digitais, o que significa dizer que qualquer leitor que tenha um e-reader, por exemplo, pode comprar um conto por R$ 1,99. Entre os autores da coleção estão Miguel Sanches Neto, André de Leones, José Luiz Passos, Bolívar Torres, Marcelo Moutinho e muitos outros. A ideia é lançar um conto inédito por semana. Veja mais aqui.

>>> Brasil: Novo romance de Haruki Murakami

Enquanto Haruki Murakami faz em sua terra natal um retorno à narrativa curta, aqui no Brasil, onde saiu, muito recentemente, o último volume da trilogia 1Q84, a editora Alfaguara – que publica o autor japonês para esses lados – promete O descolorido Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação. É aguardar.


Terça-feira, 01/04

>>> Responsável por renovar a literatura cubana e apontado como um dos autores mais importantes de sua geração, Leonardo Padura visita o Brasil entre 12 e 16 de abril para lançar o celebrado O homem que amava os cachorros, obra que o consolidou definitivamente no cenário literário internacional e recém-publicada pela Boitempo Editorial. Publicado em vários países (como Espanha, Portugal, França, Estados Unidos e Alemanha), o romance é resultado de mais de cinco anos de rigorosa pesquisa histórica e recebeu diversos prêmios internacionais. Os direitos de adaptação para o cinema de O homem que amava os cachorros foram recentemente adquiridos pela produtora francesa Compagnie des Phares et Balises. A história do livro gira em torno de três eixos: a partir de um encontro enigmático com um homem que passeava com seus cães, Iván, um cubano aspirante a escritor, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história pouco conhecida de seu algoz, o militante comunista catalão Ramón Mercader. Mais detalhes sobre a vinda de Padura aqui.

>>> Inglaterra: É publicado um conto inédito de Samuel Beckett

Rejeitado por seu editor como “um pesadelo”, “Echo’s bones”, um texto de 13.500 palavras escritor para entrar na antologia More pricks than kicks, chega às livrarias inglesas no próximo mês, 80 anos depois de ter sido escrito. Na época, o editor acreditava que acrescentar o conto custaria “a perda de muitos leitores” ao livro, o primeiro de Beckett a ser publicado. “Estou certo que ‘Echo’s Bones’ vai diminuir consideravelmente as vendas do livro”, escreveu ele a Beckett. A história traz Belacqua Shuah, personagem dos contos da antologia, retornando da morte.


Quarta-feira, 02/04

>>> França: Descoberta fotografia inédita de Charles Baudelaire

O Museu d’Orsay comprou por 50 mil euros por uma fotografia que possivelmente traz a imagem de Charles Baudelaire. É sabida a aversão que o poeta de “As flores do mal” tinha pela fotografia, mas com este arquivo, já chegam a 15 o números de fotografias suas conhecidas até o momento. Em primeiro plano, o jovem elegante e de bigode faz pose. A inscrição na parte inferior esquerda sugere é o autor da imagem é o Sr. Arnauldet. E ao fundo, desfocado, aparece a figura de um homem, por trás da cortina branca. A imagem foi adquirida inicialmente por Serge Plantureux; estava dentro de um álbum e custou poucos euros, como o explica o semanari oL’Express. Plantereux é importante colecionador de fotografias e suspeitando do famoso na fotografia buscou mapear a autenticidade da imagem. Uma equipe do museu constatou ser, sim, Baudelaire e lançou a bagatela de euros para o colecionador.

>>> Brasil: Entrevistas do projeto “Um escritor na Biblioteca” são editadas em livro

Em 2011, após uma interrupção de 26 anos, o projeto “Um Escritor na Biblioteca” foi retomado na Biblioteca Pública do Paraná (BPP) com uma programação mensal. Concebido originalmente nos anos 1980, o bate-papo trouxe a Curitiba, entre 1984 e 1986, 11 autores da literatura brasileira. Na retomada, em 2011, foram dez escritores. É o conteúdo dessas conversas que a Biblioteca Pública do Paraná disponibiliza agora, em dois volumes, por meio do selo Biblioteca Paraná. Aí estão entrevistas com nomes como Luiz Fernando Verissimo, Antonio Callado, Thiado de Mello, Paulo Leminski (foto), Fernando Sabino, Ignácio de Loyola Brandão, Nélida Piñon, Cristóvão Tezza, Marçal Aquino, Milton Hatoum, Sérgio Sant'anna, entre outros.

>>> Estados Unidos: Mostra com 50 desenhos inéditos de Pablo Picasso

A casa de leilões Sotheby’s exibe 50 desenhos e algumas cerâmicas procedentes da coleção privada de Marina Picasso, neta de Pablo. Mas, não estão à venda. A amostra percorre o olhar de Picasso em um assunto central em sua obra: o nu. De pequenos apontamentos com tinta que têm as prostitutas de Barcelona como motivo central à obsessão pelo tema do pintor e o modelo. De fato, durante 1963 e 1964 quase não pintaria outra coisa. Na prática, foram seus trabalhos sobre o nu os que finalmente lhe conduziriam ao cubismo. E neste esquema designadamente Picasso utiliza blocos geométricos para reconstruir o corpo nu de uma mulher sem cabeça. No Tumblr do Letras preparamos uma galeria com vários desses trabalhos.


Quinta-feira, 03/04

>>> Itália: Descoberto telas de Paul Gauguin e Pierre Bonnard

Desde 1975, um quadro atribuído a Paul Guaguin – Fruits sur une table ou nature au petit chien, avaliado entre 15 e 35 milhões de euros — e outro de Pierre Bonnard — La femme aux deux fauteuils, avaliado em 600.000 — permaneceram como decoração na cozinha de um funcionário da Fiat de Turim, quem os adquiriu sem saber que haviam sido roubados da casa de uns colecionadores de Londres e depois levados para Paris e depois para a Itália. Os empregados da companhia italiana de ferrovia do estado encontraram as telas e, ao desconhecer seu valor, largaram por um tempo num quarto de objetos perdidos. Ninguém se deu conta de tratava de um autêntico Guaguin de 1869 nem de um Bonnard de 1909 e então um funcionário da Fiat, pegou e levou o trabalho por cerca de 24 euros.

>>> Brasil: Chega as livrarias segundo volume de uma série de seis romances de Karl Ove Knausgård

Primeiro foi A morte do pai – em que acompanhamos sua infância e o processo destrutivo que levou seu pai a beber até a morte –, agora, Um outro amor, Knausgård se debruça sobre o começo turbulento de seu segundo casamento e a descoberta da paternidade, conflituosa com suas ambições literárias. Logo depois de se separar da primeira mulher, Karl Ove deixa Oslo e se muda para Estocolmo, onde irá começar uma nova vida, experimentando a perspectiva do estrangeiro. Lá, ele cultiva uma amizade profunda e muitas vezes competitiva com Geir e persegue Linda, uma poeta que o conquistara anos antes durante um encontro de escritores. Uma conversa com amigos durante o jantar pode se estender por cem páginas; saltos no tempo e flashbacks demonstram o pleno domínio do autor, capaz de conciliar a narrativa de episódios pontuais com longas digressões que acompanham o tempo interno das personagens. Na construção narrativa de Knausgård, a memória se torna ficção e a ficção, memória. Entre questões existenciais e reflexões acerca do fazer literário, o que emerge ao fim desse romance honesto e profundo é a conturbada e bela história de amor de um homem por sua mulher e seus filhos.

>>> Dinamarca: Finnegans Wake, de James Joyce, em música

Se a leitura de Finnegans Wake, de James Joyce, na cama não é o suficiente para colocá-lo para dormir, talvez, versão em formato de música com 12 minutos faça isso. Elling Lien tomou os primeiros parágrafos dos dez primeiros capítulos do romance; imprimiu-os em tiras de papel e depois removeu as vogais (incluindo Y!); por fim, passou os cartões através de um leitor de caixa de música. O resultado pode ser ouvido aqui.


Sexta-feira, 04/04

>>> Brasil: Joyce inédito

Foi em dezembro de 2012 quando notificamos aos leitores do blog Letras in.verso e re.verso sobre duas edições com inéditos de James Joyce no Brasil, que falamos sobre a descoberta dos textos de Finn’s Hotel. A novidade agora é que os tais textos – doze no total – encontrados por Danis Rose, um dos nomes mais conhecidos entre os editores dos manuscritos de Joyce, devem sair em breve no Brasil; Caetano Galindo quem traduziu recentemente Ulysses, está novamente com a incumbência da tradução. Finn’s Hotel deve sair em junho – por ocasião de mais um Bloomsday – pela Companhia das Letras.

>>> Estados Unidos: Sinistro (podem dizer): Harvard descobre na seção de antiguidades livros encadernados em pele humana

São três livros que fazem parte do acervo de bibliotecas vinculadas à biblioteca da universidade estadunidense. Um livro foi encontrado no Langdell Law Library (foto), outro na Biblioteca Countway de Medicina, e ainda outro na Coleção Houghton; um livro é um tratado sobre leis medievais, outro é de poesia romana e o outro de filosofia francesa. O livro Practicarum quaestionum cerca leges régias..., por exemplo, constata o fato à altura da última página, a 794, sob uma inscrição em letra cursiva lilás: "este livro é tudo o que resta do meu querido amigo Jonas Wright, que foi esfolado vivo pelo Wavuma no quarto dia do mês agosto de 1632. Rei Mbesa me deu o livro, como sendo uma das últimas posses do pobre Jonas [...]” Ai, gente, será? (Via GalleyCat)

>>> Inglaterra: Ian Fleming nu

As cartas de amor de um jovem Ian Fleming revela que ele é um ciumento, sádico romântico: "Eu teria que chicoteá-la e você iria chorar e eu não quero isso. Eu só quero que você seja feliz. Mas eu também gostaria de machucá-la, porque você fez por merecer e, a fim de domar você como um animal selvagem. Portanto, você tenha cuidado." A coleção de cartas e fotografias vão a leilão. São cartas não datadas, em grande parte, mas aquelas com datas esclarecem a vida amorosa do escritor entre 1934 e 1935, quando Fleming teria seus 20 anos. A carta cuja parte é citada neste post era direcionada a Edith Morpurgo, a filha de um empresário de Salzburg. Os dois não vieram levar o relacionamento adiante: Morpurgo, quatro anos mais velha que o escritor, em 1912, casou-se em 1939, e os dois mais a filha de dois anos de idade morreram em Auschwitz.  O livreiro comprou a coleção em leilão, e acredita que eles foram originalmente vendidos por um descendente da família de Morpurgo. "Essas cartas mostram a trajetória de um romance de jovem apaixonado, quando Fleming era um homem solteiro na casa dos 20 anos".

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