sexta-feira, 12 de abril de 2013

As adaptações de "O grande Gatsby" ao cinema

Cena da primeira adaptação de O grande Gatsby para o cinema. Foi ainda em 1926, um ano depois de publicado o romance. Os Fitzgerald não ficaram nenhum pouco satisfeitos com a adaptação feita pelo estúdio Paramount.

Dificilmente encontraremos por aí um texto que não inicie ou dê contas mais adiante de que O grande Gatsby é “o grande romance americano”; dos quatro textos que consultamos para confecção dessas notas, todos eles, distintamente se guiam pela caracterização dita por alguém da crítica, certamente. Se é assim descrito, não será erro admiti-lo como sendo o melhor romance de F. Scott Fitzgerald. Publicado pela primeira vez em abril de 1925, o enredo que conta a história de Jay Gatsby volta a ser tema entre as principais matérias nos cadernos de cultura mundo afora. Tudo isso porque chega em maio, na abertura do Festival de Cannes 2013 e depois segue em distribuição para os cinemas do mundo inteiro – aqui no Brasil está acordado para a primeira semana de junho – mais uma adaptação do romance.

Utilizando-se de uma pequena sinopse podemos classificar O grande Gatsby como um romance de ascensão e queda da esperança. O milionário que dá título ao livro vive de dá festas na sua mansão a fim de reencontrar-se com Daisy. Narrado em terceira pessoa, por Nick Carraway, vai se descortinando aos olhos do leitor os pormenores da antiga relação que se deu entre Gatsby e Daisy, a separação por motivos financeiros e o envolvimento até o casório dela com o milionário Tom. Os limites desse amor pago é a grande chama que movimenta a narrativa e faz dela sempre atual.

Cena da adaptação de 1949 do romance de F. Scott Fitzgerald; depois do fiasco de 1926, a Paramount volta para um novo filme. Dirigido por Elliott Nugent, a produção incluiu os atores Aland Ladd e Betty Field (em destaque).
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Tão logo foi publicado o romance ganhou uma adaptação para a Broadway e um filme em Hollywood. Depois do filme, houve ainda outras três adaptações, uma em 1949, outra em 1974, a que reuniu mais estrelas até então, já que foi com roteiro escrito por Francis Ford Coppola e elenco com Robert Redford, Mia Farrow e Sam Waterston nos papéis principais e, agora, a adaptação de 2013 dirigido por Baz Luhrmann, filmado em 3D e com um elenco outro de estrelas – Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan, Isla Fisher e outros. Também já motivo para uma seriado na TV americana em 2000.

Cena da adaptação de 1974. Novamente os estúdios Paramount fazem uma releitura do romance de F. Scott Fitzgerald. Com roteiro de Francis Ford Coppola e grande elenco o filme foi feito para superar todas as produções anteriores.

A adaptação de 1926 foi para o cinema mudo e é dado como uma produção perdida (restou um trailer que pode ser visto por aqui); ela recorre à peça produzida por Owen Davis para a Broadway. A de 1949, já é mais trabalhada. Mas as duas foram ofuscadas – ou por que não dizer, apagadas – pelo brilho de estrelas das duas seguintes. o silenciamento para o filme primeiro tem suas razões; segundo conta Anne Margaret quando Scott e Zelda viram o filme em Hollywood eles próprios ‘detonaram’ a produção da Paramount. Numa carta escrita mais tarde, Zelda desabafa: “Nós fomos ver O grande Gatsby no cinema. É PODRE e terrível, terrível e fomos embora.”
  

Aproveitando os novos recursos cinematográficos como os efeitos 3D, a Warner aposta numa releitura onde os efeitos especiais e o figurino são levados ao extremo de uma produção.

Bom, pelos dois trailers já liberados da produção de Luhrmann parece que a decepção de Zelda será muito bem corrigida. Pena é que ela não viva mais para ver até onde se é capaz de ir na adaptação de uma obra literária. Aliás, o casal Fitzgerald não sobreviveu sequer para ver o romance ser tachado de “o grande romance americano”. O grande Gatsby só veio fazer o sucesso que faz e o obter o reconhecimento com essa marca já nas edições seguintes publicadas anos depois da morte dos dois.