segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Os 120 anos de Graciliano Ramos





Já notificamos na nossa página no Facebook tem algumas semanas que o autor de Vidas secas será o grande homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP em 2013.

Próximo dia 27 de outubro entramos nos 120 anos de Graciliano Ramos que já, a partir de amanhã, terá uma programação que deve se estender durante todo o ano seguinte. Estão nos planos dos organizadores para agora o lançamento de um livro com mais de 80 textos inéditos do escritor, batizado por Garranchos e a sair pela editora Record, que publica seus trabalhos já há algum tempo. A coletânea é organizada por Thiago Mio Salla e traz crônicas, textos de crítica literária, epigramas e discursos políticos produzidos ao longo de 40 anos da vida do autor. O lançamento ocorre amanhã, dia 23 de outubro, na sede do Museu de Arte de São Paulo - MASP, na abertura de um seminário promovido pela editora Record.

Outro lançamento que também ocorrerá amanhã é promovido pela editora Boitempo. Uma nova versão revista e ampliada da biografia O velho Graça, originalmente publicada há 20 anos pelo professor de Literatura Dênis de Moraes. Como bônus, o livro traz uma rara entrevista do escritor ao jornalista Newton Rodrigues, publicada numa única vez, em 1944, na extinta revista carioca Renovação e reproduzida depois no caderno de cultura do Estadão, o Sabático.

Além dos dois lançamentos, a Record lança uma caixa com quatro romances de Graciliano Ramos publicados entre 1933 e 1938: Caetés, São Bernardo, Angústia e Vidas secas.

O seminário que tem início amanhã no MASP intitula-se "A cosmogonia de Graciliano - as forças que animam a obra do escritor", e conta com Nuno Ramos, Vander Melo Miranda e mediação de Manuel da Costa Pinto. A programação se estende a Belo Horizonte, no dia 24, no Teatro José Aparecido de Oliveira, com Luiz Ruffato, Benjamim Abdalla Júnior e mediação de Guiomar Grammond. Depois, vem para o Recife, nos dias 29 e 30 de outubro, na Academia Pernambucana de Letras, com Ronaldo Correia de Brito, Lourival Holanda, Alcides Vilaça, Raimundo Carrero e mediação de Mario Hélio.


O desfecho da novela Kafka

Max Brod e Franz Kafka


No último dia 15, postamos em nossa página no Facebook, um link que dava nota do desfecho, enfim, do caso Franz Kafka que vimos acompanhando por aqui no Letras. A história que bem poderia servir de mote para uma novela kafkiana (leia mais aqui) e é até possível que haja mesmo alguém recolhendo material para algo do tipo, teve seu fim depois da decisão da corte israelense. Em questão estava parte do espólio que do autor de A metamorfose deixara com seu amigo Max Brod sob a incumbência de que seria feito cinzas, coisa que já sabemos, Brod não fez. Brigavam a Biblioteca Nacional de Israel e Eva Hoffe, já que a irmã outra parte envolvida no caso morreu sem ver o fim da questão.

A decisão tomada pela Corte de Família de Tel Aviv é que a coleção em posse das Hoffe deve ser transferida de imediato para a Biblioteca em Jerusalém, que era este um dos desejos apontados em carta de testamento de Brod. Nos arquivos estão um diário pessoal do amigo de Kafka, alguns escritos (talvez inéditos de Kafka) e um conjunto de correspondências que dois trocaram por longa data e que poderá, no futuro, esclarecer detalhes mais específicos sobre sua obra. A decisão é final, uma vez que este resultado é já da recorreção feita por Eva da mesma conclusão apresentada pela Corte israelita.

Franz Kafka em Praga, 1920.

Do espólio deixado por Kafka com Brod é que hoje temos conhecimento de obras como O processo, O castelo e Amerika. Com a decisão agora tomada, a expectativa é que novos textos possam vir à tona o quanto antes, mesmo sabendo que a maior parte dos arquivos é de Brod e não de Kafka, mas a soma de cerca de 40 mil páginas, certamente, servirão para uma revisão acurada da obra kafkiana. Evidente que não virá desse achado nada que revolucione, tal como foi A metamorfose, mas elementos que comporiam as influências do autor, por exemplo, seriam bem-vindos entre os pesquisadores. As irmãs Hoffe ainda receberão os direitos por qualquer publicação que venha futuramente desse espólio. A decisão ainda vai passar pela Suprema Corte de Israel.