sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ilustrações macabras para a Divina Comédia, de Dante Alighieri



Há muito que a Divina Comédia, de Dante Alighieri tem servido à imaginação visual dos artistas plásticos; como o trabalho feito para outras obras literárias, ganhou destaque desde sempre, os desenhos detalhistas de Gustave Doré, o mestre, sem dúvidas, na arte de ilustrar. Entre os que penetraram os nove círculos do inferno de Dante está o nome do surrealista Salvador Dalí, arte sobre a qual tivemos privilégio de apresentar e comentar nesta mesma coluna outro dia.

O trabalho de Dalí certamente está no rol das curiosidades artístico-literárias, mas haverão outros de igual valor, como este que apresentamos agora: em 1901, Vittorio Alinari, então chefe da mais antiga empresa de fotografia do mundo, teve a ideia de publicar uma nova edição ilustrada do livro de Dante.

Para divulgar a ideia,  Alinari anunciou a realização de um concurso para artistas italianos: cada um que quisesse concorrer haveria de enviar ilustrações de pelo menos dois cantos do poema épico; o vencedor assinaria contrato para a conclusão da empreitada mais exposição dos desenhos. Entre os concorrentes estavam nomes como os de Alberto Zardo, Armando Spadini, Ernesto Bellandi e Alberto Martini.

O último nome foi o vencedor da competição; Vittorio Sgarbi quem escreveu o prefácio para aquela edição assinalou que o artista italiano havia nascido para ilustrar a Divina Comédia. Além das ilustrações para o concurso, Martini produziu outros dois conjuntos de imagens, entre 1922 e 1944, totalizando quase trezentos trabalhos compostos a partir de uma gama de estilos, desde desenhos comuns de lápis e tinta a aquarelas. Entre os trabalhos, está ainda um conjunto de ilustrações – seguindo o mesmo estilo macabro – para contos de Edgar Allan Poe e poemas de Rainer Maria Rilke, produção que lhe valeu um dos poucos prêmios conquistados pela sua arte.

Com forte fascinação pelo grotesco e o macabro o trabalho de Martini foi um tanto influenciado pelo movimento do norte italiano conhecido como maneirismo, um precursor do surrealismo; tanto que o artista era um dos nomes favoritos de André Breton, mesmo que a crítica não estivesse nem um pouco interessada nos experimentalismos seus.

As imagens que compôs para o épico de Dante estão preenchidas com um sentido original de fantasia e consegue expor à superfície do olhar do leitor os sentidos produzidos pelo texto literário. Reunimos um conjunto delas no nosso Tumblr, aqui