terça-feira, 31 de julho de 2012

Escritos rejeitados e um inédito de F Scott Fitzgerald


Borges integra lista dos que tiveram textos rejeitados já quando quase "crescido"



Todos os grandes escritores que conquistaram seu lugar no panteão já tiveram uma pedra no meio caminho alguma vez na vida. Segundo matéria publicada no Chicago Tribune, a alguns anos, a The Missouri Review encontrou nos arquivos da A. Alfred Knopf uma coleção de relatórios que documentam a rejeição da editora de vários trabalhos de autores notáveis. Estão na lista O aleph, de Jorge Luís Borges, L'entrata in Guerra, de Ítalo Calvino (texto que desconheço haver traduzido por aqui), Vendetta, de Joyce Carol Oates, The bell jar, de Sylvia Plath. Para ler sobre vá por aqui

Nesse rol dos rejeitados, famoso é o caso de José Saramago quando escreveu seu segundo romance, Claraboia, que foi engavetado e depois do sucesso do escritor quando do recebimento do Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, o contato para que fosse publicado, ao que o escritor rejeitou a proposta até o fim de sua vida. O manuscrito acabou sendo publicado postumamente.

F. Scott Fitzgerald. O The New Yorker repara o erro publicando 76 anos depois conto inédito do escritor.


Pois bem, em 1936, F. Scott Fitzgerald enviou um texto ao The New Yorker e a revista imediatamente o rejeitou. Agora, 76 anos depois, já quando do sucesso do escritor, acaba de publicá-lo. Thank you for the light (ainda sem tradução no Brasil), conta a história da Sra. Hanson, uma vendedora de espartilhos e cintas em seus quarenta anos que se muda para uma nova cidade onde desaprovam seu vício em tabaco.

Engraçado é que entre os anos de 1929 e 1937, o próprio F. Scott Fitzgerald teve publicado nas páginas da conceituada revista três contos e dois poemas.

O escritor, também recém-descoberto para o cinema, depois da adaptação que chegou ao Oscar, O curioso caso de Benjamin Buttonantes do fim de 2012 voltará às telas com a adaptação de O grande Gatsby

Ainda pelo mundo, outras coisas inéditas de Fitzgerald estão a ser publicadas: na Argentina a revista Eñe também recupera uma entrevista concedida pelo escritor a Juan José Saer e que nunca fora publicada. Por enquanto, vão aqui e leiam o conto de F. Scott Fitzgerald publicado na The New Yorker.


Jorge Amado e Nelson Rodrigues para as telas (Parte I)

Jorge Amado e Cacá Diegues em filmagens de Tieta, em 1995.


Agosto é mês de ler Jorge Amado e Nelson Rodrigues. Não é que haja meses específicos para ler determinados autores. Não. É que agosto é o mês em que os dois escritores brasileiros estão aniversariando. E os dois estão fazendo seu primeiro centenário: Jorge, no próximo dia 10 de agosto e Nelson, no dia 23. Agora, é verdade que os dois produziram uma vasta obra. Se tirássemos o mês inteiro, e olhe que agosto tem um dia a mais porque é mês de 31 dias, com dias integrais para leitura, não esgotaríamos a totalidade de suas produções.

Mas, como os dois são os escritores mais adaptados para o cinema e TV – segundo levantamento de José Geraldo Couto para o Blog do Instituto Moreira Salles são vinte longas-metragens adaptados a partir da obra de Nelson Rodrigues contra dezessete a partir da obra de Jorge Amado - fomos, com base nos dados fornecidos por Couto, à cata de alguns deles para duas coisas: antecipar e dar um empurrãozinho nas nossas leituras. Alguns dos listados foram indicados pelo próprio Couto, outros foram acrescentados por conta própria.

Como a postagem ficaria muito extensa, fracionamos em duas. Hoje, os filmes a partir de Jorge Amado.

1. Terra violenta, de Eddie Bernoudy. É a primeira adaptação de uma obra de Jorge Amado para o cinema. Baseado em Terras do sem fim, o filme traz no elenco Anselmo Duarte e a atriz Maria Fernanda, filha de Cecília Meireles. O problema é que este filme, de 1948, é produção rara e a última vez que se aparece alguma notícia é que se encontrava já bastante deteriorado, quando Guido Araujo se dispôs a montar uma jornada com filmes a partir da obra do escritor baiano. Fica, então, como registro.

2. Dona flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto. Depois do sucesso como Gabriela para TV, é aqui que Sônia Braga incorpora outra personagem de Jorge Amado, mas agora para o cinema. O romance virou minissérie para a TV Globo, em 1998. E será readaptado para o cinema em 2014.

Sônia Braga e a naturalidade de Gabriela. A atriz foi a personagem em duas ocasiões e ainda esteve como Dona Flor, no filme de Bruno Barreto.

3. Gabriela, de Bruno Barreto. Transformado em novela e readaptado pela TV Globo em 2012, Gabriela, cravo e canela é um dos romances de Jorge Amado mais traduzidos no exterior. Em 1983 a personagem retirante que sai do sertão baiano para as terras afortunadas de Ilhéus foi imortalizada na interpretação realista de Sônia Braga, que viveu Gabriela também para o folhetim de 1975.

4. Tieta do agreste, de Cacá Diegues. Em 1989, o romance foi adaptado para novela e em 1996, para o cinema. No ano seguinte, o filme foi o representante brasileiro para Melhor Filme Estrangeiro, no Oscar. Logo na abertura da película é Jorge Amado quem lê o parágrafo introdutório do romance.

5. Capitães da areia, de Cecília Amado. Em 1989, o livro já havia sido adaptado para uma minissérie na Rede Bandeirantes, com direção de Walter Lima Jr. Em 2011, foi para o cinema como o primeiro longa da neta do autor. E o primeiro produzido no âmbito das comemorações do primeiro centenário de Jorge Amado. Despindo-se acidentalmente do viés social do romance, Cecília quis manter-se o mais próximo possível do que ela entende como lado poético do enredo. Falamos desse filme aqui.

6. Quincas Berro d’água, de Sérgio Machado. Destaque para Paulo José que incorpora o funcionário Quincas que entediado com a vida que leva resolve entregar-se de vez a boemia. Também falamos desse filme aqui.