terça-feira, 17 de janeiro de 2012

BBB: fornicar é preciso, mas cuidado com teu cajado

Por Pedro Fernandes



O caso não é novo. Mas, ainda está no assunto do populacho, na boca dos usuários de semi-cérebro que, já impossíveis de pensar, crer que tudo o que lhe serve, desde um enlatado de qualidade não registrada até qualquer outro subelemento nacional é programa de primeira classe. Perdoem-me, os semi-cérebros, se ainda conseguem se indignar por tratá-los assim. Aliás, perdoem-me não. Se vocês não são condicionados a pensar, eu ainda, não também com pouca massa encefálica, meto-me onde não sou chamado – e a propósito nem quero que me chame mesmo – e digo o que não devo dizer. Minha função é, com a palavra, ser um balde de água fria.

Há dois dias estive lendo o que anda se passando na nova redoma de silvícolas que está sendo exibida pela 12ª vez. Quem diria. Só mesmo num país de semi-cérebros para a frivolidade ocupar alguns meses de uma grande emissora de TV por longos 12 anos. Já repararam o que isso significa. Significa que teve neguinho sendo gerado enquanto se fornicavam embaixo das cobertas na redoma dos silvícolas. E neguinho nasceu vendo fornicações embaixo das cobertas. E foi para o primeiro dia aula e conversou com os coleguinhas sobre fornicações embaixo das cobertas. E cresceu. E virou boy. E já fornica debaixo das cobertas vendo fornicações embaixo das cobertas na redoma dos silvícolas.

O caso é que agora, alguém foi fornicar e a coisa não deu certo. Estampou-se uma cena de atentado ao pudor. Não vi. Não sei quem são os envolvidos. Triste posição a minha.

Só por uma vez queria que os semi-cérebros entendessem: na redoma dos silvícolas ninguém é de ninguém. E ninguém faz as coisas que faz por que assim se comportam. Tudo bem, alguns fazem mais que isso aqui fora, na redoma maior, mas todos fazem o que têm de ser feito. Há um controle. Há a criação de um estereótipo. Como um deus na criação do universo, há um criador por traz daquilo que você vê e pensa que é tudo natural. “Olha, tu com esses peitões e esse pé de bunda dás uma mulher puta de primeira categoria. Explora isso pra deixar em casa os cuecas semi-cérebros sentindo-se adolescentes em início de carreira.” “Você, você com esse corpão de boy, talhado nas 24 horas de academia, 365 dias por ano, dás um puto de primeira categoria. Explora isso pra deixar em casa as calcinhas semi-cérebros com papo pra rodar todo dia no trabalho, no ônibus... dás um puto também para os semi-cérebros que curtem outros putos e como são os mais ousados, vão, depois de cada aparição tua, ‘tocar uma’ no banheiro.”

Atentado ao pudor nessas condições? Como? E o boy é um cafajeste? Hum. A palavra é pesada. Ofende o cafajeste genuíno. Cafajestagem é uma arte esquecida. Mas na ausência de outra, finda o cafajeste. E, agora, eu pergunto: o que faria um semi-cérebro numa redoma – à beira de riscar as paredes – no meio de peitos, bundas e músculos e ainda com mil doses de álcool no sangue. Sim, porque tem de ter, não é? Não faz parte do embuste? Beber, porque bêbados somos o que não somos normalmente? Mas, tu, que ainda dizes ter um fio de cérebro estás te posicionando a favor do cafajeste? Não. Estou não. Estou apenas entendendo que o cafajeste se portou conforme as cláusulas estabelecidas antes de entrar na redoma. Se ele extrapolou o limite do comum acordo é porque semi-cérebros não leem e, por isso, tem dificuldades de interpretação. Deus disse: “Tu, gostoso como és, boysão, não deixas de dá uma fornicada. Se ela não quiser, usa o que tens melhor, mas, não vás direto com cajado em punho. Pode feri-la. E isso é contra nossos princípios.” Mas o semi-cérebro usa o cajado que tem. Magoou? “Ai, não sabia que ia magoar.” Logo, nesse estranho jogo, não há um culpado como agora estão por aí a se digladiar em debates mesquinhos os semi-cérebros que veem tudo em casa. A emissora é tão ou mais culpada nessa história. E joga com isso. Tem poder para isso. Incentiva a baixaria e quando a coisa foge do controle, bate em retirada, finge que não viu, cala a boca dos envolvidos com quotas astronômicas de dinheiro e o que sai para além das quatro paredes da instituição é um debate frívolo em que o único condenado é o Adão da história. E ela, cínica, ri-se sozinha de tudo. E feliz fica com a massa de semi-cérebros a se digladiar e a dar Ibope e dando Ibope dando-lhe mais dinheiro.

Aqui chegando, tenho o direito de me perguntar: até onde vai a selvageria humana? Nada tenho contra programas como BBB ou contra quem dá audiência e dinheiro para financiar baixaria, mas minha pouca massa encefálica ainda não consegue vê-lo como programa ou algo útil. Aí é um covil mercadológico. É o que há de mais nocivo do humano estereotipado ao limite para se conseguir lucro a todo custo. É um programa para além de fútil, porque a futilidade como a cafajestagem é uma arte, ainda é bela, é criativa, enquanto o BBB não se presta a nada.