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Mostrando postagens de Julho, 2012

Escritos rejeitados e um inédito de F Scott Fitzgerald

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Todos os grandes escritores que conquistaram seu lugar no panteão já tiveram uma pedra no meio caminho alguma vez na vida. Segundo matéria publicada no Chicago Tribune, a alguns anos, a The Missouri Review encontrou nos arquivos da A. Alfred Knopf uma coleção de relatórios que documentam a rejeição da editora de vários trabalhos de autores notáveis. Estão na lista O aleph, de Jorge Luís Borges, L'entrata in Guerra, de Ítalo Calvino (texto que desconheço haver traduzido por aqui), Vendetta, de Joyce Carol Oates, The bell jar, de Sylvia Plath. Para ler sobre vá por aqui
Nesse rol dos rejeitados, famoso é o caso de José Saramago quando escreveu seu segundo romance, Claraboia, que foi engavetado e depois do sucesso do escritor quando do recebimento do Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, o contato para que fosse publicado, ao que o escritor rejeitou a proposta até o fim de sua vida. O manuscrito acabou sendo publicado postumamente.


Pois bem, em 1936, F. Scott Fitzgerald enviou um text…

Jorge Amado e Nelson Rodrigues para as telas (Parte I)

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Agosto é mês de ler Jorge Amado e Nelson Rodrigues. Não é que haja meses específicos para ler determinados autores. Não. É que agosto é o mês em que os dois escritores brasileiros estão aniversariando. E os dois estão fazendo seu primeiro centenário: Jorge, no próximo dia 10 de agosto e Nelson, no dia 23. Agora, é verdade que os dois produziram uma vasta obra. Se tirássemos o mês inteiro, e olhe que agosto tem um dia a mais porque é mês de 31 dias, com dias integrais para leitura, não esgotaríamos a totalidade de suas produções.
Mas, como os dois são os escritores mais adaptados para o cinema e TV – segundo levantamento de José Geraldo Couto para o Blog do Instituto Moreira Salles são vinte longas-metragens adaptados a partir da obra de Nelson Rodrigues contra dezessete a partir da obra de Jorge Amado - fomos, com base nos dados fornecidos por Couto, à cata de alguns deles para duas coisas: antecipar e dar um empurrãozinho nas nossas leituras. Alguns dos listados foram indicados pelo …

Ensaio para uma apresentação do "Caderno de desenhos", de Márcio de Lima Dantas

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Por Pedro Fernandes
Não faz muito tempo que saiu por aí e por aqui deve voltar a sair em breve, agora que temos uma espécie de coluna para casos do tipo, desenhos de Elizabeth Bishop, Sylvia Plath, Ferreira Gullar e Carlos Drummond de Andrade (desse falamos em primeira mão e até editamos uma amostra). Todos os que escrevem tiveram ou têm, não raras vezes, oportunidades para um passatempo a compor garatujas que podem, se for o caso, serem aperfeiçoadas e ganhar a delicadeza e o traço profissional, como é patente nos desenhos dos dois primeiros nomes citados. 
Fato é que, o desenho deve ser a forma de expressão poética mais antiga do homem. Ainda quando sequer sabia fazer uso da linguagem como vimos aperfeiçoando nesse itinerário em que a espécie se constitui sapiens e, logo, ainda quando nem imaginávamos o trabalho com a palavra escrita, mas já o espírito da poesia habitava essas paragens, fazíamos caricaturas nas pedras, no corpo, como signos de registro ou de celebração.
Tudo isso serve…

Rol da feira, o novo livro de Márcio de Lima Dantas

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Por Pedro Fernandes

Quem aportou por aqui há algum tempo já está familiarizado com o nome de Márcio de Lima Dantas. Isso porque na segunda edição do caderno-revista 7faces demos a conhecer o ensaísta, com um texto sobre a obra do poeta Jorge Fernandes, então homenageado (ver o final desta post).

Na edição seguinte, publicou-se um encarte com um inédito do poeta, xerófilo; já por essa época, sondamos também por aqui sobre outro inédito intitulado Rol da feira, que era o encarte pretendido. Esperaríamos um ano para tê-lo, ofertado pelo próprio Márcio, para publicação no mesmo formato do anterior.
O leitor encontrará aí um conjunto de 23 poemas que do ano em que tive contato até agora passou, certamente, por um crivo trabalhista dado por todo poeta que tem na palavra seu ofício. Isso porque havia na edição que julguei pronta há um ano alguns textos que não localizei nessa edição que sai agora ou mesmo o exercício de revisão de outros.

Não me canso de dizer, sem quaisquer demagogias ou pa…

Notas sobre o homenageado da 5ª edição do caderno-revista 7faces

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Por Pedro Fernandes

“As pessoas só pensam nas coisas materiais. Ficamos presos às necessidades urgentes. Mas isso não dá conta da nossa humanidade, não nos completa como indivíduos e seca a poesia do nosso coração. A poesia nos empurra para uma dimensão além da sobrevivência básica.”

Salgado Maranhão em entrevista ao Jornal O Globo, 15 de julho de 2012.

Não fiz grande esforço para conhecer a obra de Salgado Maranhão; entendam conhecer pelo sentido mínimo possível dessa palavra porque o que tive foi um contato com vários poemas reunidos na antologia A cor da palavra. Esse contato se deu ano passado quando voltei ao campus central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e numa visita à Biblioteca Padre Sátiro Cavalcanti, como fazia nos tempos de estudante, dei com a edição publicada pela Imago e pela Fundação Biblioteca Nacional. À primeira vista foi uma surpresa descobrir esse nome porque tenho, não poucas vezes, a impressão de que a poesia no Brasil atravessa um elevado grau de…

Fundação José Saramago e Fundação Casa Jorge Amado celebram os 100 anos de Jorge Amado

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Já comentei por aqui sobre uma leva de eventos que estão acontecendo durante todo 2012 em prol do nome do escritor Jorge Amado. Acresça à lista mais dois: um, divulgado na 2ª edição da revista Blimunda é organizado pela Fundação José Saramago e ocorre no próximo dia 10 de agosto. As comemorações, dentre outras movimentações, incluem uma mostra literária com materiais do escritor e fotografias de Zélia Gattai, mulher do escritor.
O outro, divulgado no último dia 10 pela Fundação Casa de Jorge Amado trata-se do II Colóquio de Literatura Brasileira – Curso Jorge Amado 2012. A primeira edição desse evento ocorreu em agosto do ano passado (cf. notificamos aqui) e contou com palestrantes do Brasil, França, Itália e Alemanha, além da participação de Cecília Amado, neta de Jorge, que dirigiu o filme Capitães da Areia e levou para a sua apresentação um relato sobre a experiência de adaptar uma das obras mais lidas do escritor baiano para o cinema. Todos os depoimentos da primeira edição do Coló…

Os desenhos de Bruno Schulz

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Antes de escrever, Bruno Schulz, foi pintor. Em 1914, interessou-se pela pintura e chegou a frequentar a Escola de Belas Artes em Viena.  Durante o regime nazista tornou-se professor de desenho, profissão que deixou de exercer em 1941, quando se iniciam as maiores represálias do regime alemão em Drohobycz: todos os judeus entre 16 e 65 anos são obrigados a trabalhar para os alemães; condenados ao trabalho forçado e aos guetos. Schulz, como judeu, e numa tentativa de fugir das perseguições vai morar nas ruínas de casa abandonada com os familiares. É quando conhece Feliks Landau, um soldado do regime, mas bastante interessado no trabalho artístico de Schulz e se aproveita de suas qualidades e da situação para que realize a pintura de murais nas paredes da casa do seu filho pequeno. Esses murais foram levados em 2001 para Jerusalém sob alegação de mandado pelo governo ucraniano.
De modo que, a relação de Bruno com as artes plásticas foi mais intensa do que a própria literatura. Seus traba…

Revista Trevo ou a sorte de termos mais um espaço on-line sobre Literatura (II)

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Com este anúncio, o Letras postou por aqui em maio passado a notícia de que um grupo paulista formado pelos jornalistas Thiago Kaczuroski e André Toso, e do designer Lex Designo estavam dando modelagem a um periódico eletrônico então batizado por Trevo. Ainda não temos caso da sua periodicidade, uma vez que não foi divulgado nenhuma informação sobre por parte dos organizadores.
Apenas que a edição inaugural está publicada. Juntam-se aos organizadores a ilustradora Mariana Lucio convidada para compor as ilustrações para a edição em questão. Ao todo foram publicados 12 trabalhos: Ludmila Rodrigues, João Gabriel Oliveira, Júlio Meloni, Ana Roman, Vanessa C. Rodrigues, Maurício Kehrwald, Marcos Visnardi, Alvaro Posselt, Felipe Fernandez, Lucas Reis Gonçalves, Pedro Fernandes e Pollyana Aguiar. 
A edição está caprichada e o trabalho do grupo está enriquecedor e merece ser acompanhado. O material editado atende a vários suportes e pode ser lido tanto on-line, como noutros suportes eletrônico…

Para Roma com amor, de Woody Allen

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Por Pedro Fernandes


Aí está um filme de Woody Allen, dentre os dois turísticos que já fez, desde quando deixou Nova Iorque pela Europa, Vicky Cristina BarcelonaMeia-noite em Paris que reafirma sua capacidade de reinvenção. Para Roma com amor é, antes de uma ode à cidade italiana, não se limita a um período específico da história em que a cidade veio tornar-se um dos encantos do velho continente. No filme anterior, ele escolhe o exato temporal dos anos 1920, período em que todos os intelectuais em estágio de frustração, como a personagem central do enredo, iam ter em Paris o lugar ideal para inspiração, período, portanto, que alavanca a fama da cidade luz. Talvez porque a cidade tenha mesmo tido apenas isso de significante e de lá pra cá não tenha dado satisfações ou garantias do epíteto que vende. Em Roma parece que tudo ainda pulsa e tem “mais história”. Não estamos mais diante de alguém “transportado” de um lugar para se fazer noutro, como em Meia-noite em Paris, mas sim de person…

A prosa de Fernando Pessoa no Brasil e uma arca que são duas

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Lembra que falamos aqui de dois novos livros vindos a lume em Portugal com contos de Fernando Pessoa? Pois bem, trabalha no silêncio que dele nasce as boas surpresas. É que agora, a Língua Geral deu a conhecer uma edição intitulada Um grande português, contos, fábulas & outras histórias, organizada, prefaciada e anotada por Zetho Cunha Gonçalves, especialista na obra de Fernando Pessoa.
O livro que já fora editado em 2008 pela Bonecos Rebeldes (ou pelo menos é protobibliografia do que agora se publica) reúne toda a produção no gênero prosa curta escrita pelo poeta do desassossego, além de traduções que ele fez de contos do escritor estadunidense O. Henry.

O livro é um achado na bibliografia brasileira que tem se limitado a curtas edições da poesia e algumas más elaboradas antologias que do conceito que preenche o termo não tem nada. Além de ser uma possibilidade de ter juntos quase todos os trabalhos do Pessoa prosador, que não se limitou aos contos, às fábulas e às traduções a…

Fernando Pessoa desfigurado*

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Todo e qualquer estudo – grande ou pequeno – está suscetível a erros. Ainda mais se o pesquisador for um tanto ganancioso e confiar plenamente nas suas suposições. É sabido que suposições e mentiras quando lapidadas ao extremo volta-se para o seu mentor e passa a atuar como verdade e, pronto, o desastre, depois disso, poderá está feito.
Quando saiu por aqui o catatau Fernando Pessoa – uma quase autobiografia, de José Paulo Cavalcanti Filho, ainda o peguei nas mãos com afoito interesse em comprá-lo. O preço, entretanto, me fez recuar. Depois, estive lendo algumas críticas em que o próprio autor proclamava não sei quantos heterônimos, a revelação de que Fernando Pessoa havia sido homossexual, pelo menos até certo tempo de sua vida e depois havia desistido da ideia; nunca praticou sexo com outros homens, mas algumas atitudes, como patrocinar com próprio custo a edição de materiais de amigos seus homossexuais, como António Botto e Mário de Sá-Carneiro – o primeiro, gay assumido – e ainda …

Ernest Hemingway

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Quem não terá lido o clássico O velho e o mar? Para mim, foi um dos primeiros livros com esse epíteto que tive privilégio de ensaiar leitura. Ainda criança, quando a escola que eu estudava criou e deu chance aos seus alunos a ideia de biblioteca, num tempo em que escola do nível básico de ensino ainda era coisa de certa valia. Na época não cheguei a findar a leitura: pareceu-me um texto longo demais e eu tinha a vã ilusão não-leitora de que me perderia ao longo do caminho. Mas, nessa mesma biblioteca dei com Por quem os sinos dobram numa versão ilustrada e infanto-juvenil, a qual nunca mais tive oportunidade de encontrar, mesmo vasculhando esse território inóspito da web que diz nos oferecer não só os encontros mais fortuitos como qualquer possibilidade de resposta às nossas dúvidas, inclusive quando elas se referem a perdas recentes de memória.


Ernest Hemingway é o autor desses dois textos considerados uns dos principais de sua vasta obra. Nascido em julho de 1899, nos Estados Unidos,…

Os desenhos de Salvador Dalí para "A Divina Comédia", de Dante

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Dante Alighieri nasceu em Florença, Itália, em 1265. Inicialmente, sua poesia tinha o amor como tema central. Seu primeiro grande trabalho foi Vita Nuova. Exilado em Paris, Dante escreveu Convivio, espécie de súmula poética da filosofia medieval, bem como o tratado político Monarchia. Entre 1304 e 1308, já depois do exílio em Paris, mas não o desterro de Florença, que jamais expiraria, começou a escrever a Comedia, que no século XVI ganharia de Boccaccio o adjetivo Divina. A obra, contudo, só seria publicada na íntegra já perto da morte do autor, em 1321.
Tido como texto fundador da língua italiana, súmula da cosmovisão de toda uma época, monumento poético de rigor e beleza, obra magna da literatura universal, um clássico, e como bom clássico, este livro teve vários aventureiros que reservaram ao direito de representá-lo pela pintura. Dos artistas diversos que ilustraram a Divina Comédia estão Sandro Botticelli, no século XV, William Blake, no século XVIII, Gustave Doré, no século XIX …

Sombras da noite, de Tim Burton

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Por Pedro Fernandes



O filme valerá por duas razões que enumero logo no princípio deste texto: 1. Tim Burton continua insubstituível em fazer do cinema a arte da paródia; 2. Johnny Depp continua insuperável na sua capacidade de travestir-se nas personagens que lhes designam ser.
Sombras da noite judia de várias coisas, mas duas hão de chamar logo a atenção do telespectador. Uma, o anacronismo temporal. Somos situados numa espécie de prólogo narrado em primeira pessoa a fim de que entendamos a rixa secular e semieterna entre o vampiro Mefistófeles e a bruxa má de porcelana Angelique (Percebem o trocadilho? Anjo/bruxa). Aqui, é o início da própria nação americana construída pela tradição inglesa lá pelos idos 1700. Antes de ser Mefistófeles, era ele um moço rico filho de uma tradicional família que se mudara para o novo mundo e fizera fortuna com a pesca. Angelique, a empregada na mansão que nutre uma paixão maior que tudo pelo moço rico, que não vê nela somente aquilo que ela é, uma bela…

Rock e Literatura

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Dias desses estive por aqui organizando uma curta play list de algumas músicas que foram inspiradas em alguns dos mais famosos clássicos da literatura. Hoje, Dia Mundial do Rock, voltei a ela para ver uma coisa: quantas das músicas ali indicadas são de grupos do gênero. Antes de responder a observação, que seja feito um curto parêntese aqui para justificar que as duas coisas têm, na gênese um princípio em comum. Afinal, a grande característica que define o literário é sua capacidade de transgressão. Logo, cá, eu pergunto, que outro gênero musical mais define pela ideia que não o rock? Até quando algumas bandas se baseiam numa hermenêutica da música, isto é, quando algumas bandas se deixam guiar apenas pela fúria adolescente e propõe revoluções no plano estético do gênero a que pertencem, até nesses casos, rock liga-se à literatura. Logo, não dá para reduzir-se na ideia de adolescente de ensino médio de que o único gênero que é por natureza, literário, seja a MPB. Vou além, o que é o …

Adaptações de livros para o cinema

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Semana dessas enquanto dispunha um vídeo com o trailler para O Hobbit, e para O grande Gatsby na fan page do Letras no Facebook, me dei conta de quantas adaptações o cinema está preparando para o fim de 2012 e 2013. São muitas. Ficamos na torcida que tanta adaptação assim aqueça o interesse dos telespectadores pelos originais.
Por isso, resolvemos fazer este post com os títulos das estreias e um breve resumo das obras a fim de que, antes que o filme chegue às telas, todos possam ter lido/relido tudo, como manda o figurino. Comecemos pela estreia de amanhã (12/07) e depois as já citadas:


On the road. Romance. É o título mais conhecido de Jack Kerouac, tido como o escritor da Beat Generation estadunidense. O escritor, que pôs mochila nas costas e saiu num tour pelo interior dos Estados Unidos, produziu o livro na viagem. A primeira versão é de 1951, mas só seria publicada em 1957. On the road é a viagem sonhada por todo garoto do tempo de Kerouac: sair país afora com um grupo de amigos…