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Mostrando postagens de Maio, 2012

Camilo Pessanha

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O texto mais significativo de crítica literária que li sobre o poeta português Camilo Pessanha é da Leyla Perrone-Moisés e está no livro Inútil poesia e outros ensaios breves, “Camilo Pessanha e as miragens do nada”. Depois dei com a edição de Clepsidra – única obra de Camilo – que no Brasil foi reeditada numa edição promocional da Ateliê Editorial organizada pelo professor Paulo Franchetti que assina também um ensaio crítico e notas explicativas ao longo do livro. Tive interesse, logo, em comentar sobre o autor por aqui. Mas, acossado ainda pelo texto da Leyla, achei por bem não tocar no assunto. Agora, descubro que a Biblioteca Nacional de Portugal ao modo do que fez a outros escritores também disponibilizou na web uma página com informações sobre Camilo Pessanha e seu espólio. Incentivado por tanto aparato textual arrisco essas notas, que mais que informativas são caminhos para uma apropriação da leitura da obra do poeta.
O espólio de Camilo Pessanha dispersou-se por volta de 1926, …

Bastardos inglórios, de Quentin Tarantino

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Por Pedro Fernandes


Há em Quentin Tarantino uma ironia sangrenta; quem assistiu Kill Bill e depois este Bastardos inglórios entenderá o sentido ou o conceito impresso nesses termos. O anterior é, numa leitura de duas palavras, um blasé entre uma “ex-gângster” e seus ex-parceiros do esquadrão. Dividido em dois volumes, o filme bebe na fonte dos textos escritos pela forma como está estruturado e é altamente contaminado por um jogo intercinematográfico difícil de precisar os seus limites. O modo se repete no filme de 2009. Usando dos momentos históricos do nazismo e da Segunda Guerra Mundial, Tarantino dá espaço para a atuação de dois planos elaborados por contraventores ao regime de Hitler; planos que vão desembocar na ideia de assassinato do próprio ditador, muito embora não pareça ser esta a direção inicial da narrativa. Prevalece aqui certa autonomia do desenvolvimento do texto, mesmo sabendo que há presente por trás de tudo um arguto criador.
Isso porque damos com um filme que a princ…

Os lusíadas on-line

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Que Os Lusíadas, de Luís de Camões, é um dos mais importantes textos da literatura em língua portuguesa, todos hão de concordar; outros até acrescerão que o épico camoniano é já clássico para a cultura ocidental. Agora, fazer do clássico leitura para leitores comuns, nem todos hão de acreditar na possibilidade. E a situação é ainda mais absurda se formos ver de perto que a imensa maioria dos estudantes de Letras no Brasil, público que lida diretamente com leitura, nunca leu a obra. Considero absurda porque – e isso eu já comentei por aqui – há títulos que integram aquela lista de leitura obrigatória a certo público por mais que não o apeteça.
Agora, um projeto conduzido pela Biblioteca Nacional de Portugal, país de nascimento do poema, traz o texto na sua primeira impressão em formato digital. Entendendo Os Lusíadas como obra importante no cânone universal, integra a proposta a digitalização da primeira edição em diferentes línguas – do espanhol, passando pelo sueco e até numa versão e…

Exposição "Intracenas", do artista plástico Mauro Silper

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Com o título de “Intracenas”, que significa estar no âmago, no interior, dentro da cena, ao ponto de uma se ligar à outra em composições e intenções, o artista plástico Mauro Silper, autor de um conjunto telas compostas a partir da obra de José Saramago e publicadas na edição especial do caderno-revista 7facesVariações de um mesmo tom: diálogos sobre a poesia de José Saramago, publicada em julho de 2011, abre exposição individual amanhã, dia 29 de maio, às 19h, na Galeria de Arte Beatriz Abi-Acl, na rua Santa Catarina, 1155, bairro de Lourdes, em Belo Horizonte. A mostra fica aberta ao público até o dia 23 de junho, sempre das 9 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, e das 9 às 13 horas, aos sábados.
O artista explica que a ideia — ou inspiração — para criar as obras, todas inéditas, que vão compor a exposição, adveio de uma frase pinçada da letra de uma música composta por Chico Buarque de Holanda, que diz: “A cidade não mora mais em mim”. A partir daí, Silper começou sua pesquisa e a…

"Escrever é uma revolução"

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No dia 6 de maio passado Salman Rushdie encerrou o PEN World Voices Festival de Nova Iorque com uma fala sobre o dramaturgo Arthur Miller. E falou sobre a censura. Os escritores estão dispostos a falar sobre editores e críticos, sobre quanto ganham, sobre fofocas de outros escritores, sobre política, sobre amor e inclusive sobre literatura, mas nunca sobre a censura. Discutem sobre a criação sem notar de que a censura é a anticriação, a energia negativa. Não há que ficar calados sobre isso. Diante do texto de Rushdie (que pode ser lido integralmente no The New Yorker, em inglês, aqui), o escritor Ivan Thays, que escreve para o blog do El País, Vano Oficio, redigiu um amplo comentáro (aqui) a partir do qual faço livre tradução e acresço pequenos detalhes de leitor.
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Poucos escritores têm a autoridade moral para falar de censura como Salman Rushdie. Todos recordamos como o seu romance Versos Satânicos foi perseguido, preso por uma fatwa ditada pelo aiatolá iraniano Jomeini, em fever…

Ler a Odisseia (Parte VII)

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O texto de Homero materializa através da linguagem as primeiras tentativas do homem grego em dominar o mundo pela razão. Ou, nessa esteira, esteja nascendo no poeta a consciência que só se revelará plena muitos séculos depois de que a palavra sendo intermediária entre o ocorrido e o narrado também pode construir universos tanto quando o universo empírico.
Novamente me reporto aqui ao episódio das sereias contado pelo próprio Ulisses no Canto XII. Primeiro, pensemos na atitude individualista do herói em somente ele ter acesso ao canto das sereias com marco de uso da razão sobre o mito. A simples premissa de que estariam aí prenúncios do mito como algo falso talvez seja vã. Depois, pensemos novamente como que o fato é narrado na Odisseia. É narrado não somente pelo poeta, mas pela personagem, comoque, também numa leitura ingênua, Homero buscasse se eximir do fato de não está sendo fiel à empiria. Volto às duas questões adiante porque quero fazer um curto parêntese aqui. A necessidade d…

O rico trabalho de Pilar em torno de José Saramago

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Já em José e Pilar ficamos sabendo de que, ao lado do escritor português José Saramago, esteve uma pulsante mulher de sangue espanhol chamada pelo forte e sugestivo nome de Pilar del Rio. Era ela quem cuidava de toda organização da vida pública do escritor: recebendo cartas, acertando viagens, cumprindo protocolos. Mais tarde, fez-se tradutora do companheiro para o espanhol e desde então tem sido a principal ponte da literatura saramaguiana com os leitores não somente em Espanha e os falantes do espanhol, mas no restante do mundo. Incontáveis são os percursos que ela já tem feito por tantos países a levar a obra do Prêmio Nobel, que depois de sua morte, há quase dois anos, já se multiplicou em três livros inéditos a saber O último caderno, As palavras de José Saramago - organizado por Fernando Gomes Aguillera que também foi curador da primeira grande exposição sobre o escritor, A consistência dos sonhos já visitada no Brasil, depois que teve sua abertura, em Lisboa, Lanzarote, Espanh…

E ele nunca sai de moda

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Há pouco mais de um ano quando a editora portuguesa Babel aportou em terras brasileiras trouxe algumas novidades; além de uma caprichada edição de Indice das cousas mais notáveis, de Padre António Vieira, também trouxe-nos uma não menos caprichada edição do único livro publicado em vida por Fernando Pessoa, Mensagem: uma edição símile da editada em 1934, um ano antes da morte do poeta. A prova recebida pela gráfica com assinatura do Pessoa e marcação nas 102 páginas do volume e o risco no título original que deveria ser "Portugal" com a substituição por Mensagem foi integralmente fotografada e publicada com a devida pompa pela Babel brasileira.

Depois seguiram-se as publicações de alguns contos também do Pessoa editados em formato de bolso: O banqueiro e o anarquista, O marinheiro e A essência do comércio, as que tive acesso. Todos são trabalhos que não haviam tido até então, pelo que sei, uma ampla estadia em terras tupiniquim. Tudo isso, para dizer que, agora, em Portugal -…

Drummond inédito

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Uma obra que talvez nunca deixe de ser inédita é a de qualquer grande escritor porque a cada época pode ela ser lida com uma disposição totalmente nova. Mas, a novidade que me veio pela imagem da capa da próxima edição da Revista BRAVO! foi, de imediato, a que me chamou atenção e logo compartilhei na minha página pessoal no Facebook. Depois, dei com uma matéria posta numa edição ainda de 2009, pela Revista Veja sobre o achado anunciado pela anterior: os inéditos de Drummond, achados e em poder do professor e poeta Antonio Carlos Secchin, virão a lume numa edição a ser lançada em julho próximo, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, que homenageia o poeta neste ano. 
A primeira obra que Carlos Drummond de Andrade publicou foi Alguma poesia, em 1930, com uma modesta edição com tiragem de 500 exemplares autocusteada. É desta obra os clássicos "No meio do caminho", "Quadrilha" e "Poema de sete faces"; ou seja, nem é preciso dizer que, mesmo o poe…

Esquecer Saramago

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Quando, no ano em que desenvolvi um largo contato com artistas plásticos para uma releitura da obra de José Saramago a partir dessa arte tão mais complexa ou quanto a literária não imaginaria que em algures se dava a criação de um trabalho de tamanha beleza como este que dei conhecimento por esses dias e contava as horas para postar alguma coisa sobre aqui no hotblog. Chegou a data.  E vou dá mais crédito a algumas imagens do que às palavras, porque elas falam - e como (!) - o que se é necessário ouvir sendo que o caminho percorrido é outro, o da visão.
Esquecer Saramago é o título de uma obra coletiva conduzida pela Palavrão - Associação Cultural e busca uma relação entre texto e imagem compondo um extenso mosaico para uma releitura da obra do escritor português. Compõe-se de doze projetos de artistas plásticos, que buscam no ritmo dos textos saramaguianos o embalo para as imagens. O trabalho também deu origem a uma exposição sob curadoria de Mário Caeiro, aberta esta semana.




Ligações…

Sim, ele está na moda

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No ano em que parte significativa do espólio de James Joyce foi disponibilizado na web, o autor parece que definitivamente entra na moda do meio literário brasleiro, o que não quer dizer que tenha o escritor de Ulisses caído no gosto dos leitores. Mas, ao menos até junho, mês de celebração do Bloomsday, a obra sua terá certo crédito por aqui. E tudo começa nesta semana quando se anuncia a chegada às livrarias da nova tradução do clássico Ulisses. Traduzido por Caetano Galindo, o livro chega pelo selo Peguin:Companhia, da Companhia das Letras.

Depois, chegará pela editora Hedra, que prevê a segunda quinzena de junho, "Stephen Herói", livro inacabado de James Joyce e ainda inédito em terras tupiniquim. Stephen Herói tem como personagem central o alter ego do escritor irlandês, Stephen Dedalus, que aparece em Um retrato do artista quando jovem e no próprio Ulisses. A tradução do material foi encomenda a José Roberto O'Shea. Antes, do inédito, chega também pela Hedra, Dubli…

Ler a Odisseia (parte VI)

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Talvez o que haja de mais moderno no texto homérico seja a refundação da palavra no horizonte textual. Primeiro, como instância fundadora da realidade, depois, como intermédio entre a vida terrena e a eternidade. A própria Odisseia é um texto que não se sustenta apenas pela voz externa do aedo, mas pelas vozes internas que vão compondo ao leitor uma extensa camada de matérias que, não raras vezes se confundem e são o próprio itinerário pessoal de Ulisses. 
Notemos que no princípio da grande empreitada que conduzirá o herói ao retorno para Ítaca, que Telêmeco, designado por Atena, se depara já com a odisseia sendo contada pela boca de Menelau, depois será o próprio Ulisses quem se encontrará com sua própria história, quando num banquete entre os feácios, Demódoco canta sobre suas peripécias. Mas, até então temos um narrador que se coloca à busca de um tom ideal para sua história, afinal, a palavra é instância sacralizada e somente a uns lhe é concedido o dom pleno do uso.
Como na Odis…

Ação Leitura 2012

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O evento está sua 3ª edição. Desenvolvido pelo grupo de escritores que compõem a editora Jovens Escribas, a programação está bastante heterogênea a traz a Natal dois nomes consideráveis na cenário da literatura brasileira recente, Fabrício Carpinejar Marcelino Freire. A vantagem desse evento é que ele trabalha naqueles lugares onde mais se necessita um olhar para a questão da formação da competência leitora - as escolas. Sabemos que há muito o poder público virou-lhe as costas e, não é coisa rara um aluno sair do Ensino Médio sem nunca ter lido uma obra significativa da literatura, situação mais que alarmante. 
O evento é descentralizado e contempla desde as escolas do ensino básico aos alunos do Ensino Superior. A programação se concentra entre os dias 21 e 25 de maio. O pernambucano Marcelino Freire estará na abertura das atividades pela tarde a partir das 15h na Escola do SESC e a noite a partir das 19h no curso de Letras da UnP acompanhado de Patrício Júnior. Já Carpinejar fecha …

Carlos Fuentes

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Jorge Luis Borges, Roberto Bolaño, Mario Vargas Llosa, Isabel Allende, Adolfo Bioy Casares, Gabriel García Márquez e muitos outros são nomes por demais significativos à literatura latino-americana. A essa lista indispensável é o nome do escritor mexicano Carlos Fuentes. Filho de pais diplomáticos, nascido em 1928, no Panamá, Fuentes morreu ontem, 15 de maio de 2012.
É um dos mais proeminentes escritores do México. A condição e o meio em que nasceu deram-lhe oportunidades que contribuíram à sua formação: Fuentes estudou na Suiça e nos Estados Unidos. E foi filho dos muitos lugares onde viveu – Quito, Montividéu, Washington, Santigo, Buenos Aires, Rio de Janeiro... Mas, foi o tempo que passou no México, onde se radicou desde 1965, o que mais lhe serviu de matéria na composição de uma obra imersa no debate intelectual sobre a filosofia do mexicano. Seu primeiro livro, Los días enmascarados, ainda sem tradução para o Brasil, publicado em 1954, já apontava para essa questão identitária e,…

Machado de Assis on line

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Semana passada falei aqui sobre a disponibilização eletrônica por parte da Biblioteca Nacional da 1ª edição de Dom Casmurro, de Machado de Assis. As 404 páginas então editadas pelo livreiro Garnier é um achado eletrônico. Sim, mas um projeto que disponibilize toda a obra do autor em edição eletrônica é também outro achado. 
É verdade que Machado de Assis deve ser o escritor brasileiro que, apesar de não ter vivido e nem pensado nessa viagem literária por um suporte eletrônico, mais tem arquivos espalhados pela web. E mesmo desde o ano 2000 que suas obras já haviam sido colocadas por esse terreno sem quaisquer ônus, à disposição de qualquer leitor ao redor do mundo. Mas, convenhamos, vários trabalhos, por mais que represente um esforço hérculeo por parte de quem os empreendeu, tem suas lacunas. Além do que, os arquivos estão como disse de início, espalhados pela web. Quer dizer, estavam. Porque, foi seguindo esse raciocínio lógico que uma equipe de professores, pesquisadores, alunos, …

Paraísos artificiais, de Marcos Prado

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A arte não é livre de propósitos para com o meio do qual ela emerge. E dentre todas as possibilidades deve zelar por uma: fazer ver o que somos, no que nos tornamos e no que poderemos ser. Todas essas três possibilidades faz dela elemento essencial para a manutenção da própria existência humana tal como conhecemos. 
Pode ser que Paraísos artificiais, de Marcos Prado não seja nenhum grande filme de revolução estética, cobrança cara, aliás, para quem já produziu fenômenos de público como Tropa de Elite. Mas, a reflexão que este filme pode levar o telespectador é única e começa por uma pergunta: no que vimos nos tornando ou o que temos nos tornado depois que alcançamos a ideia de liberdade plena? 
A resposta a essas perguntas é o que se vê na tela. Usando do movimento não linear da narrativa, o filme acompanha em primeiro lance duas importantes ações: uma, demarcando o fim de uma trajetória de uma das personagens, outra, o seu contrário. A primeira dá contas da saída de Nando da prisão. A …

Ler a Odisseia (Parte V)

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Se fosse o caso de chamar aqui o que faz da Odisseia o grande texto da Literatura me guiaria novamente, como já fiz para outras ocasiões, pela ideia já convencional entre todos os que têm no trato com a escrita seu trabalho e diria que é a linguagem. Nos dois planos: no modo como o enredo desse longo poema é montado, seja pela posição assumida pelo Ulisses no correr da narrativa seja pelas digressões aí operadas com o intuito de suspender a ação e provocar no leitor aquele sentimento do suspense típico da narrativa contemporânea seja pela perfeita conjugação entre dois métodos narrativos – a descrição e a narração; e acresceria ainda o entrelaçamento de narrativas que compõem o enredo maior, que como é sabido, além do regresso de Ulisses para casa, também está aí no mínimo outros três veios narrativos, como o movimento e decisões dos deuses, a viagem da procura de Telêmaco pelo pai e as tramitações em casa de Ulisses pela presença constante dos pretendentes à mão de Penélope. E o efei…

Literatura animada

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A literatura infantil tem papel importante na formação do leitor que poderemos vir a ser. Não quero é explicar o surgimento dessa categorização porque isso é um longo debate e, portanto, ele não convém aqui. Pelo menos nessa hora. Mas, uma boa conceituação deve preservar a ideia de literatura enquanto manifestação artística e, como tal, aquele tipo de texto que destoa do lugar comum ou que aborda o lugar comum a partir de uma perspectiva que leve o indivíduo a produzir na relação com o material visual, a escrita e-ou o desenho, certo estranhamento. 
É bom lembrar que é no calor dessas discussões que um variado grupo de correntes tem se formado e ido, com base no crédito de suas teorizações, posto a circular o que poderíamos chamar de alternativa para a literatura infantil. Uma delas, pensa na indistinção textual e preza pela readequação dos grandes textos clássicos para o contexto das crianças. É fruto dessa corrente as mal fadadas adaptações que tentam a todo custo enxugar o texto o…