quinta-feira, 28 de abril de 2011

Palmyra Wanderley




A autora é pioneira no Rio Grande do Norte. Basta que se cite que na leva de periódicos em territórios de pré-e-Modernismo, ela, juntamente com sua irmã, a também escritora Carolina Wanderley, conduziram a Via-Láctea, não apenas mais um, mas um dos periódicos que teve circulação na capital potiguar. A importância do periódico é que vem conduzido exclusivamente por mãos femininas numa época em que o destaque das mulheres em quaisquer campos ainda era de uma relevância.

Sabendo que a vida literária da época estava na formação de grupos que objetivavam a divulgação de seus ideais, um periódico do tipo significa uma voz fêmea a ecoar em terras de voz masculina. O envolvimento com esse periódico relâmpago não fez Palmyra esconder-se e ter valor apenas pelas páginas da Via-Láctea. Encontraremos a autora publicando em tudo quanto é jornal e revista da época, mostrando que Palmyra tinha, sim, desenvoltura no meio literário da época. Ou seja, Palmyra tinha uma produção literária ativa e de boa recepção na comunidade.

Seus textos no jornal A República, um dos mais importantes veículos da época, vem inundados de uma pluralidade linguística em que a ideia do 'novo' - marca do Moderno - se configura no próprio fazer literário. Do ponto de vista temático, Palmyra está interessada em assuntos que vão do cotidiano burlesco da província às questões mais generalizadas e discutidas no âmbito mundial.

O resultado dessa intensa movimentação pelo território das letras, virá, em definitivo, em 1918, quando a autora publica seu primeiro livro, Esmeraldas, recebido com elogios pela crítica, sendo que, foi com Roseira brava, de 1929, que Palmyra rompeu os limites do Rio Grande para se tornar um nome nacional. Este livro viria receber menção honrosa da Academia Brasileira de Letras, com um consagrador parecer da comissão julgadora, que reconheceu em Palmyra “uma das vozes mais harmoniosas que vem do Norte do Brasil.” É pela época que o então romancista Júlio Ribeiro, autor de A carne, escreveu sobre Palmyra: “Não sou dos que acham poesia em todos os poetas, mas em Roseira brava descubro tudo quanto nos possa impressionar em matéria de versos.”

Voltando às páginas dos jornais Palmyra lançou-se em colaborações para periódicos como Ninho das Letras, de Currais Novos, Letras Novas, de Natal, Folha do Vale, de Ceará Mirim e O Ateneu, da Academia Norte-riograndense de Letras. Colaborou ainda como a Cigarra, revista que documentou uma das fases mais movimentadas da intelectualidade natalense.

Palmyra vem de uma família socialmente privilegiada - a família Wanderley, reconhecidamente uma família de intelectuais no Rio Grande do Norte. Basta que se cite que a autora foi filha, irmã, sobrinha e neta de grandes poetas. Nasceu em 1894 e foi consagrada por Tristão de Atayde "o maior poeta feminino do Nordeste". Para a professora Daniella Lago, a poesia de Palmyra ao representar a beleza lírica da cidade do Natal, "revestes de aspectos panteístas, telúricos, místicos; abraçando-se com a natureza, perfuma-se no roseiral da sua Roseira Brava, em "Rosas de Sol e Espuma", "Rosas Tropicais", "Rosas de Sombra e Neblina", "Rosas de Todo Ano", "Rosas do teu rosal", "Madrigais", e quando foi lançada a segunda edição da obra foram acrescidos "Outros versos e trovas"."

Ainda segundo a professora a escritora foi de vida social intensa e era muito solicitada às reuniões, saraus literários que animavam as noites natalenses. Leitora de Auta de Souza, Palmyra proferiu várias conferências sobre a poeta e sobre a condição feminina. Juntamente com a irmã - aquela com quem fundou o Via-Láctea foi uma das mulheres que aderiram ao movimento feminista no estado e uma das que lutaram pela conquista do voto feminino no ano de 1927.

Além de crônicas e artigos para jornais e poesia, Palmyra Wanderley escreveu peças de teatro e novelas radiofônicas. Em 1965, a Fundação José Augusto, editou seus poemas reunidos, sob o título de Roseira brava e outros versos. Morreu em 1978 e deixou inéditos A festa das cores, Neblina na vidraça, Espelho partido, Vidro de muitas cores, Álbum de família, Rosas místicas, Discursos e conferências e Sutilezas femininas.


* Texto escrito com notas de "O modernismo através do olhar de Palmyra Wanderley", da professora Daniella Lago, publicado na coletânea Bom dia Moderno Potiguar.

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