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Mostrando postagens de Janeiro, 2011

Moacyr Scliar

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Moacyr Scliar de Porto Alegre. Formado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi professor visitante na Brown University e na Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

A literatura entra na sua vida desde seu batismo: Moacyr vem da personagem homônima filho da dor em Iracema, de José de Alencar. Se os nomes carregam parte do destino das pessoas, conforme acreditava o escritor, aí está a base de tudo.Seu primeiro livro publicado data de 1962. Histórias de médico em formação é um livro de contos baseados em sua experiência como estudante. Seis anos mais tarde é publicado o livro que Scliar, tem considerado com sua primeira obra literária, o também livro de contos, O carnaval dos animais.
Escritor polígrafo, a obra de Scliar é vasta: perfaz um conjunto de mais setenta livros traduzidos em mais de vinte países e produções  em vários gêneros: romance, conto, ensaio, crônica, ficção infanto-juvenil. Além do que, foi escritor assíduo para a i…

Quando a arte vira em pixels

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É verdade que o Google ("nosso pai", como muitos tem idolatrado toda vez que encontramos aquilo que achávamos impossível de ter aos nossos olhos) representou na criação de Gates também uma revolução. Desde que se firmou como simples mecanismo de buscas que o gigante do Vale do Silício tem sempre inovado e surpreendido seus usuários.

A novidade desta vez, depois da digitalização de livros (ato que ainda tem dado o que falar), é a de trazer ao alcance de um clique o que antes era restrito ao público viajado ou a raríssimos livros de arte. Há poucos dias, o Google lançou seu Art Project, uma espécie de Street View que proporciona a visualização de mais de mil obras de arte em alta resolução, além de visitas em 360º pelas galerias de 17 grandes museus do mundo.
Instituições como The Metropolitan Museum of Art e MoMA de Nova York, Museo Reina Sofia, da Espanha, e o francês Palace of Versailles abriram as portas à empresa que, ao longo de um ano e meio, fotografou algumas de suas…

As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

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Por Pedro Fernandes

Desprezando o desastre que Hollywood fez com o texto do Swift muito recentemente, num filme que eu classificaria imoral e grosseiro, esta postagem recobra pequenas notas que eu fiz em 2008 para  leitura de As viagens de Gulliver. O romance data de 1726, quando o seu autor, já aos 59 anos, era um nome veterano entre as letras inglesas, desde que se projetou, nos meios jornalísticos e literários de Londres e de quando ainda como panfletista satírico tomando o partido do Absolutismo na sua viva luta contra a burguesia.
A obra que se desenvolve em quatro partes é uma sátira contra os vícios humanos e uma reflexão acerca da miséria da condição humana (cf. assinala Cilaine Alves Cunha). Na primeira, o protagonista e narrador do texto relata do seu naufrágio em Lillipute (cidade imaginária, plano onde transcorrem todas as outras viagens também). Nesse território, os habitantes possuem menos de seis polegadas (15 cm). Na segunda parte, Gulliver – assim é como o herói-prota…

Ariano Suassuna

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Auto da compadecida e O romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta, mais conhecido apenas por  A pedra do reino são duas obras que representam significativamente as duas faces desse escritor: a de dramaturgo e a de ficcionista, respectivamente. É verdade que Ariano também escreveu e/ou publicou uma leva poemas e ensaios, dos quais, pela bibliografia do escritor na página da Academia Brasileira de Letras, podemos citar ao menos dois – O pasto incendiado, livro inédito de poemas, e O Movimento Armorial, este conhecido de todos, porque ser as bases de um dos movimentos, no interior das artes, que o escritor foi fundador e tem dedicou boa parte de seu projeto literário.
Ariano Suassuna é da Paraíba. Nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa. Com o assassinato de seu pai durante Revolução de 1930, sua família muda-se para Taperoá – cidade que fica famosa quando da ambientação da adaptação de sua peça Auto da compadecida para o cinema em 2000, por Guel Arraes…

Oscar 2011, indicações

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Saiu agora pela manhã a listagem com as 24 categorias para a a edição do Oscar 2011. Novidades? Nenhuma. O discurso do rei é, como já se esperava, o mais indicado e aparece cotado em 12 cateogorias, entre eles o de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Fotografia. Integram a lista de Melhor Filme ainda Cisne negro, O vencedor, A origem, Minhas mães e meu pai, 127 Horas, A rede social, Toy story 3, Bravura indômita e Inverno da alma.
Leia a lista completa aqui.


72 horas, de Paul Haggis

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Por Pedro Fernandes



Onde reside os limites do real? Onde reside os limites da ficção? Onde reside os limites do amor? São todas perguntas que 72 horas é capaz de nos suscitar. E a resposta para todas elas é a de que não há limites. Ou se há somos nós quem os fazemos.

Para quem foi ao cinema às cegas, sem nada ter visto ou lido sobre o filme encara os primeiros minutos da narrativa com o princípio de mais um daqueles dramas de perdas e que se prolongam por cenas e cenas de lutas na justiça e blá-blá-blá.

Mas, engana-se. A cena seguinte já troca a rotina pelo imprevisto e enche a tela de porrada. Acusada de assassinato, Lara é levada pela polícia enquanto John mal consegue conter o desespero de seu filho de três anos que, assustado com a invasão, só consegue chorar. Eis aí mais uma impressão falsa.

A princípio acharemos esse John com cara de sujeito acomodado, preso a sua rotina de professor. Julgamento mal feito. Ele será capaz de construir um mundo próprio para si; fabricar uma realid…

O novo brinquedo online do Instituto Moreira Salles

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É um blog. O Instituto Moreira Salles acaba de lançar seu blog. O intuito é o de ser  mais um canal de interação com o público. "Paralelamente ao site, que já exerce o papel de suporte de informações a respeito da programação e dos acervos do IMS, o blog permite uma abordagem mais dinâmica de temas relativos à cultura e à revista serrote." - diz a justificativa na nota divulgada à imprensa. 
O blog está organizado em seis seções: Sala 21,onde fotógrafos brasileiros da atualidade são convidados a produzir um ensaio visual inédito; Quadro a quadro, as pinturas e desenhos do acervo do IMS são comentados por convidados; Correspondência, dois convidados, que já se conhecem, trocam mensagens cujo tema é escolhido por eles próprios; Notícias, informações – não necessariamente relacionadas ao acervo do instituto – sobre os assuntos que circundam o universo do Instituto, como artes visuais, música, literatura; Por dentro do acervo, obras de consagrados fotógrafos são comentadas (em …

Os escribas cresceram

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Por Pedro Fernandes


Com este título a repórter Maria Betânia Monteiro, caderno Viver, jornal Tribuna do Norte faz uma matéria acerca dos avanços da força literária independente no Rio Grande do Norte.

A literatura independente no estado não está morta, está vivíssima, crescente e atuante. Fiquei muito entusiasmado com a notícia e por isso o motivo de divulgá-la aqui neste espaço. Isso porque é já a concretização de um passo para furar as paredes do castelo de louça que se tem forjado nas letras potiguares. Novos movimentos, independentes de grupinhos privilegiados, são bem-vindos para a oxigenação das atmosferas bolorentas como as que sempre andamos a respirar por aqui.
Pois, "Jovens escribas" era já o nome de um selo criado pelos escritores Patrício Júnior, Daniel Minchoni, Thiago de Góes e Carlos Fialho e desse selo surgem novos projetos, entre eles, novos títulos acrescido à dezena dos publicados. Uma editora e uma distribuidora de livros. Força ao grupo! E que venham no…

Rever Os sertões, de Euclides da Cunha

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Por Pedro Fernandes



Os sertões, de Euclides da Cunha, obra singular na Literatura brasileira suscitou uma leva de opiniões diversas tomando como foco a linguagem e a estruturação do texto. Como se sabe a obra tem uma linguagem marcadamente "técnica", com fortes traços "cientificistas" e apresenta-se dividida em três partes: "A terra", em que são descritos o espaço físico do sertão nordestino; "O homem", em que é feita uma análise sobre a formação social do sertanejo; e, por fim, "A luta", em que se desenvolvem os acontecimentos da guerra de Canudos. Em torno desses elementos formaram-se duas fortes correntes de opinião: uma preserva o caráter eminentemente científico da obra e não a coloca com obra literária e a outra corrente se define pelo seu caráter literário já que ela na sua totalidade dá contas de uma forma de construção textual cuja estética e o trabalho com a linguagem estiveram presentes.
Recentemente li um texto de autoria d…

A 18, encontro com José Saramago (VII)

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Iniciativa posta na rede desde o dia 18 julho de 2010; todo 18 de cada mês durante noves meses leitores saramaguianos do mundo inteiro reúnem-se para ler um fragmento de sua obra e brindá-lo com uma taça de vinho. Este blog segue a iniciativa.
Como até fim desse mês estou com a recepção de textos para a edição especial do Caderno-revista 7faces que tratará da poesia saramaguiana, o fragmento que leio hoje é, na verdade, um poema do escritor que está em Provavelmente alegria. 




Poema para Luís de Camões
Meu amigo, meu espanto, meu convívio, Quem pudera dizer-te estas grandezas, Que eu não falo do mar, e o céu é nada Se nos olhos me cabe. A terra basta onde o caminho pára, Na figura do corpo está a escala do mundo. Olho cansado as mãos, o meu trabalho, E sei, se tanto um homem sabe, As veredas mais fundas da palavra E do espaço maior que, por trás dela, São as terras da alma. E também sei da luz e da memória, Das correntes do sangue o desafio Por cima da fronteira e da diferença. E a ar…

Concurso Uma página para Saramago: resultado

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O Concurso Uma página para Saramago foi criado no intuito de provocar os leitores da obra do escritor português a com ela estabelecerem um diálogo através da escrita. O concurso também integra a leva de atividades postas em prática desde que foi lançada a ideia de organização de uma edição especial do Caderno-revista 7faces acerca da produção poética do escritor.

Durante o mês que esteve no ar a chamada para recepção de textos, o concurso recebeu uma leva de 30 textos de leitores espalhados por todo o país. Hoje é divulgado o resultado. O vencedor receberá a edição do livro de José Saramago especificada na sua ficha de inscrição e terá o referido texto publicado na edição especial do Caderno-revista 7faces. Os demais participantes da ideia terão seus textos, aos poucos, por ordem de classificação, indexados no espaço Palavras dos leitores no blog-espaço Um caderno para Saramago, aqui.
Para fazer baixar o parecer com o resultado do concurso, devem acessar aqui.

Oswald de Andrade

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As coisas são
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vem
Não em vão
As horas
Vão e vem
Não em vão

(Oswald de Andrade, "Relógio")


Haroldo de Campos em seu ensaio Uma poética da radicalidade assim define a poesia de Oswald de Andrade: "Se quisermos caracterizar de um modo significativo a poesia de Oswlad de Andrade no panorama de nosso Modernismo, diremos que esta poesia responde a uma poética da radicalidade. É uma poesia radical." E emenda: "A radicalidade da poesia oswaldiana se afere, portanto, no campo específico da linguagem, na medida em que esta poesia afeta, na raiz aquela consciência prática, real, que é a linguagem."
A radicalidade de Oswald é a de engendrar no material poético uma fala social, externa ao puritanismo lingüístico. Além do que, é a de reinventar a própria estrutural formal do poema, que agora busca um despojamento e uma síntese (comprimidos, minuto de poesia).  No já referido ensaio de Haroldo de Campos ele vai entender que a …

Você vai conhecer o homem dos seus sonhos, de Woody Allen

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Por Pedro Fernandes


Lembro-me de ter visto poucos filmes do Woody Allen, apesar de toda a crítica especializada ou não falar por uma boca só de que ele é, sem dúvidas 'o cara' do cinema. Pode ser verdade. A julgar por produções com Vicky Cristina Barcelona e Tudo pode dar certo - dois dos filmes de Allen que vi e que me vêm à mente agora.
Este Você vai conhecer o homem dos seus sonhos vim vê-lo numa sessão daquelas que pingam ao acaso no meio dos filmes comerciais de Hollywood. E retoma um estilo de Allen que é a valorização do cotidiano como matéria de composição de seus filmes, um estilo meio 'europeizado' de se fazer cinema. Tem o tom de uma crônica porque é para ser visto como se ler um texto do gênero. Gosto desse tom, por várias razões - primeiro, porque muitas das vezes enxergamo-nos no interior do filme, dada a semelhança entre o drama das personagens e nosso próprio drama; e, segundo, um desdobramento da razão primeira, porque, mesmo parecendo simples e algo …

Encontros como Mia Couto

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Por Pedro Fernandes



Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada. Ninguém no plural. Ninguéns.

Mia Couto, O fio das missangas


É assim que uma das personagens narradoras finda "A despedideira", de O fio das missangas. Conheci Mia Couto sendo poeta com o livro Raiz de orvalho e outros poemas. E devo essa descoberta a uma amiga que, num desses congressos, tinha consigo uma leitura da poesia do escritor moçambicano. Li, daí alguns poemas; reencontrei outros depois, numa aula de literatura no mestrado e muito tempo depois encontrei com Terra sonâmbula, ainda o único e melhor romance do escritor. Tenho impressão de que, depois desse título dificilmente ele conseguirá escrever outro romance a altura; apesar de ser muito cedo para fazer essa afirmativa. Mas, o contato com outros romances seus permite-me essa previsão: Mia, diferente de escritores como José Saramago, por exemplo, é dos…

Chico Buarque para TV

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Por Pedro Fernandes


A idéia é brilhante. Se as histórias sairão do mesmo porte que ela só saberemos logo mais. Hoje estréia uma microssérie intitulada Amor em 4 atos que vai dramatizar quatro grandes músicas do compositor e escritor Chico Buarque. Os episódios serão exibidos até o dia 14, na TV Globo.
O primeiro deles foi batizado de "Meu único defeito foi não saber te amar" e tem como inspiração a canção "Mil perdões". A direção é de Roberto Talma e Tande Bressane.
Com direção de Tadeu Jungle, "Ela faz cinema" tem como fonte a canção homônima de Chico lançada pelo compositor em 2006.
Os dois últimos episódios são ligados entre si e levam os nomes das canções "Folhetim" e "As vitrines". Esses últimos capítulos têm a direção do cineasta Bruno Barreto.
Abaixo selecionei quatro vídeos com as canções que darão tom à microssérie. No primeiro vídeo Gal Costa canta "Mil perdões"; no segundo, o próprio Chico canta "Ela faz cine…

O ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago

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O ano de 1936 parece ter sido um daqueles anos em que a humanidade experimenta quase que todas as dimensões de suas extremidades históricas - instaura-se e expande-se na Europa e ao redor do mundo um modelo de governo opressor baseado no modelo hitlerista, em Portugal traduzido com ascensão de Salazar ao poder; gesta-se, mal saídos de um grande conflito, a Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa e a Guerra Civil em Espanha... Já para o fim do ano anterior morre Fernando Pessoa. É com esse painel histórico de turbulências, onde tudo parece está por vir a tona a um só tempo e com esse desfecho trágico da morte do poeta-maior, que volta a Portugal, depois de uma longa estadia pelo Brasil, um auto-exílio, na verdade, o heterônimo Ricardo Reis.
O romance toma proveito de ser Ricardo Reis um dos heterônimos daquela tríade mais bem planejada por Fernando Pessoa que ainda não morrera e escala seus últimos dias como um retornado. Tomando outro elemento, este agora como roteiro para …

Kafka ilustrado

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Um novo Kafka? Desde quando se anunciou, em julho de 2010 uma caixa com manuscritos do autor theco que fãs, estudiosos e/ou curiosos da literatura voltaram sua atenção para Franz Kafka. O legado kafkiano foi entregue pelo escritor ao seu melhor amigo, Max Brod, com o pedido de que, assim que morresse, tudo fosse queimado. Brod, no entanto, não cumpriu o desejo do escritor e o resto da história todos sabemos onde está.

E desde dezembro de 2010, a Martins Fontes colocou no mercado Oportunidade para um pequeno desespero.Esse título, Nikolaus Heidelbach, organizador da edição, retirou das páginas de O castelo quando K. encontra-se sozinho na rua com os pés afundados na neve, entre um castelo e uma aldeia desconhecidos, e pensa: “Oportunidade para um pequeno desespero”.

As histórias que dão forma ao livro foram recolhidas entre os diários e textos do escritor. E não revelam um novo Kafka, mas o mesmo Kafka de A metamorfose e de O processo. Em "Cinco Amigos", por exemplo está lá …

O amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence

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Por Pedro Fernandes

Esse romance fez parte de minhas primeiras incursões pelo mundo da leitura e da literatura. Pela época em que o li já tinha andado pelos territórios da Clarice Lispector, do Machado de Assis, do Aluísio Azevedo e estava ainda perdido quanto ao que ler e ainda encantado com romances mas apimentados. O amante de Lady Chatterley me atendeu ao duplo interesse. Vendo que, recentemente, a Companhia das Letras reedita essa obra de D. H. Lawrence achei por bem comentar sobre.
Trata-se de um romance de enredo simples. Ainda bem não havia se casado, Constance Chatterly, espécie de Bovary inglesa dada a sua criação burguesa, tem seu marido envolvido com a guerra. Depois de sua volta para casa, Clifford está paralisado da cintura para baixo. Colocando toda sua dedicação numa carreira literária e nos negócios da família o que se assiste é a abertura de um fosso entre ele e sua mulher. A válvula de escape para Constance será um morador da fazenda dos Chatterly, para onde ela se…

As ilustrações muito contemporâneas para um país de maravilhas

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Depois de já ter sido ilustrado por nomes como John Tenniel, Salvador Dalí, Peter Newell, o clássico de Lewis Carroll ganha, passados 144 anos de sua publicação, mais 31 ilustrações singulares criadas a partir de cartas de baralho, recortadas e remontadas compondo vários cenários da obra.

A façanha é do artista plástico Luiz Zerbini. A edição veio a lume em 2010, pela Cosac Naify, mas só agora pude pegar o livro e acompanhar de perto o trabalho do artista; e vejo que Zerbini consegue captar sentidos totalmente novos do clássico de Carroll, além do que, as ilustrações são de encher a vista de qualquer leitor.

Não é a nova edição uma nova tradução. A Cosac Naify tomou o cuidado de selecionar entre as versões já publicadas no Brasil aquela que até hoje tem sido a melhor delas: a de Nicolau Sevcenko. Ana Maria Machado, por exemplo, concorda que a tradução feita pelo autor de A revolta da vacina (reeditado pela mesma editora em 2010) e Orfeu extático na metrópole (1992) é uma das mais cri…

Dalcídio Jurandir

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Por Pedro Fernandes


Vejamos. Em várias entrevistas dadas por José Saramago - me reporto aqui à sabatina feita pela Folha de São Paulo quando o escritor português esteve pela última vez no Brasil para o lançamento do seu A viagem do elefante - ele, quando perguntado da literatura brasileira em terras lusitanas disse haver da parte de lá um total desconhecimento da obra e de escritores brasileiros,sobretudo, daquilo que se produz hoje. Vou mais além que português.A literatura brasileira chega muito mal aos ouvidos dos próprios brasileiros.

Aqueles mais aficcionados por garimpar novidades são os que têm um conhecimento mais amplo sobre nomes e obras. Mas isso se resume a 1% dos que se dão a estudar literatura. A literatura produzida na região Norte do país, por exemplo, é, para quem está no Nordeste (e vejam que geograficamente não estamos longe) uma total desconhecida. Fala-se de um Milton Hatoum e o restante de dedos na mão sobram.

Pois bem, não foi garimpando, mas sim lendo um texto …

Red: aposentados e perigosos, de Robert Schwentke

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Por Pedro Fernandes


Eis a piada de mal gosto de 2010. Vi o filme assim que cheguei ao cinema quando encontro com uma leva de filmes que pelo título e pela sinopse, ridículo ainda era um apelido de bom grado. Deparo-me com Red: aposentados e perigosos; é claro que também tinha a ideia, desde que assisti ao trailer, de que este também entrava no rol daquela leva. Mas resolvi dá uma chance ao meu gosto para o esdrúxulo e fui vê-lo. Não deu noutra. Minhas piores expectativas se consolidaram.
O que narra este filme se pode dizer em duas palavras. Um grupo de matadores de aluguel se veem, já aposentados, e alguns deles com a morte natural à bater na porta, infiltrados numa daquelas tramas cujo fim está em acelerar os passos da morte 'matada'. Elenco de peso, no bom sentido do termo - Bruce Willis, John Malkovich,  Morgan Freeman e Helen Mirren - não é, entretanto, o suficiente para fazer de Red: aposentados e perigosos um filme que se diga: 'Oh!' O fato talvez esteja no proc…