sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Das metodologias




Esta é a parte de um projeto de dissertação e de uma dissertação que, todos nós que enveredamos por essas ideias de academia, mais sofremos no momento da escrita. Ainda mais quando temos de justificar o óbvio e o ululante porque senão corre-se o risco de o trabalho nosso ser qualquer coisa, menos algo da ciência. Eu diria, para início de conversa, que todos manuais de fabricação caseira para textos acadêmicos (e olhe que lista é enorme) são falhos. E o acadêmico deveria começar já por aí a não depositar toda fé com eles. Alguns deles são totalmente cegos e mudos. E a função de muitos é criar protocolos de aproximação para com a materialidade de análise/leitura que, não rara vezes, castra os limites de amplidão do pesquisador.

Cada trabalho acadêmico tem sim sua/s metodologia/s própria/s ainda que o princípio seja referendado por algumas das abordagens dispostas nos manuais; logo, a única certeza que possuímos é a de que os livros de metodologia devem ser reelaborados de acordo com aquilo que minha proposta de pesquisa necessita. É mais ou menos algo de um sentimento, de uma sensibilidade que se tece pela relação minha com o texto que produzo ou estou produzindo. Evidentemente que isso não é, como tudo na vida, um nó definitivo, regra feita que deve ser aplicada a todo e qualquer trabalho acadêmico na área de humanas. É sobre essa área a que me refiro. Mas, do lugar de onde falo, dos estudos com o texto literário, e logo, com a manipulação de materiais da ordem da linguagem/discurso as coisas devem, senão seguidas por esse tateio às cegas pela construção de uma sequência metodológica, mas deve ser pensada a partir daí.

A partir desse pensamento vê-se que, muitas vezes, o caráter explanatório de um método é totalmente dispensável, principalmente quando da elaboração do trabalho acadêmico, tendo em vista que o próprio fabrico do produto da pesquisa já deixa subentendido por entre os fios da tessitura textual todo o processo do qual nos beneficiamos para sua composição. Pensando por este viés havemos de entender que isso que sustenta o caráter de cientificidade de um texto é artefato em constante construção. Não é ele conjunto de ingredientes que devam ser postos na sua justa medida por correr o risco de o prato não sair tal qual nos aponta a imagem do receituário. É ele um jogo de peças que devem ser manipuladas a nosso interesse. Se assim penso, desloco a metodologia do seu caráter de beatitude a qual foi reduzida para compreendê-la como elemento terreno e subsidiário à minha pesquisa.