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Mostrando postagens de Maio 21, 2010

O realismo irónico

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Por Miguel Real


Praticando um culto estilista da língua e sendo, com Mário Cláudio, um dos escritores vivos com mais amplo domínio de registo vocabular, seja clássico, seja moderno, Mário de Carvalho é possuidor de um vastíssimo leque de artifícios literários pelos quais encanta o leitor. Entre o anedotário, a paródia, a exploração surrealista da imaginação (A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho, 1983; “Três personagens transviadas” e “Fenômenos da aviação”, in Contos vagabundos, 2001), o pastiche, o conto pícaro, a graça jocosa, a apologia e a parábola moralistas, mantém sempre uma admirável qualidade de escrita.
Foi, porém, nas diversas modalidades do conto e do romance histórico (Um deus passeando pela brisa da tarde, 1994) que Mário de Carvalho sobressaiu com uma impressionante mestria, seja enquanto criador de uma obra-prima do pícaro moderno (Quatrocentos mil sestércios, 1991), seja enquanto cultor do conto histórico-romântico (Conde Jano, 1991), nos quais, em termos de con…