domingo, 4 de abril de 2010

Chico Xavier, de Daniel Filho

Por Pedro Fernandes


Seguindo a moda do cinema brasileiro (que quando não põe nas telas um filme sobre a condição marginal, ou uma comédia, põe cinebiografias) eis que chegou às telas Chico Xavier, de Daniel Filho. O que veio agora, como escrito no título, é uma leitura sobre a biografia (ou uma encenação dela) do maior líder do Espiritismo no Brasil. Este foi um título que tomei um interesse de vê-lo porque, queimando a tarde na visita rotineira à livraria no shopping, fui catar se havia algum filme na programação. E pelo conteúdo do que já tinha assistido (de novo o trailer!) e diante das opções bisonhas que tinha fui, como voto numa eleição dos dias de hoje, no que parecia menos ruim. Bom, se meia-palavra basta, então sabem do resultado dessa decisão.

Confesso que esperava mais do filme (sempre esperamos!), mas, novamente, me deparei com um drama simples, sem enredo, e povoado de diálogos clichê. Como se Daniel Filho apenas tivesse transposto uma de suas sopas ralas das nove feitas para TV agora para o cinema. Ainda: aquilo que parecia ser o propósito do filme, marcado no trailer - Chico Xavier, verdade ou uma fraude? - não se firma como questão importante (e aí acho que se ela tivesse sido respeitada podia ser que o filme se salvasse); fica resumido a dois momentos - no momento em que o padre sai à rua gritando blasfêmias ao médium ou quando uma mulher discorda de uma carta psicografada. Mas, repito, esperava que esse estágio de tensão fosse mais marcado no filme ou desse a forma da narrativa.

E o que se vê é um filme é monótono, cansativo, povoado de mortes e algumas cenas também clichê de coitadinho para arrancar lágrimas daqueles sensíveis a tudo - como as dos maus-tratos sofridos pelo Chico criança - a maior cara de dramalhãozinho de novelinha das oito. Salva-se a quebra da monotonia noutros dois momentos: quando o pai leva Chico adolescente a um cabaré para a perda da virgindade e ele acaba levando todas as putas a se ajoelharem e rezarem e o momento em que o espírita está em voo para gravação do programa em que se funda a narrativa do filme - Daniel Filho se mostra e consegue arrancar do público boas risadas ao bom modo de Se eu fosse você.

Vai que o problema era porque não consegui captar qual o interesse do diretor, ou ter ido mais para o lado drama anunciado. Ao menos, Daniel foi honesto em não usar do artifício da religião como matéria para composição da trama; focou no homem Chico. Isso é um ganho. Confusões à parte, não é um filme que possa recomendar com alguma segurança.