segunda-feira, 8 de março de 2010

O atual estágio que ainda estamos (II)

Por Pedro Fernandes



Prometi não fazer nenhum discurso acalorado pela data; entretanto, é mais que eu. Não resisti, e eis que me posto a dizer o que se segue:

Outro dia comentei por aqui (veja no final do texto) acerca de uma pesquisa que apontava números de um país homofóbico chamado Brasil. Pois, os números dessa pesquisa só vem confirmar outra estatística: a do elevado número de mortes a homossexuais no país, que segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia foi de 198 em 2009, um número maior do que em 2008, confirmando um aumento da escalada do horror no país.

Associado a esse número que poderia ser, muito bem, um número para medir a intolerância, em nota divulgada às vésperas do Dia Internacional da Mulher, outra estatística vem nos assustar: segundo a alta comissária das Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, é de  5 mil o número de mulheres, que a cada ano, em todo o mundo, são assassinadas tendo por justificativa a "defesa da honra".

"Em nome da defesa da honra da família, mulheres e meninas são mortas a tiros, apedrejadas, queimadas, enterradas vivas, estranguladas, asfixiadas e apunhaladas até a morte, num ritmo assustador", enumerou Navi no comunicado. E emendou: "a maior parte desses 5.000 crimes registrados a cada ano no mundo não aparecem nos jornais, assim como as inumeráveis violências infligidas às mulheres e às meninas por seus maridos, pais, irmãos, tios ou outros homens - às vezes, até, por outras mulheres - membros da família".

O que se entende pelo termo "defesa da honra" são crimes banais que têm como materialidade desde  violação das condutas familiares ou comunitárias em matéria de comportamento sexual, à recusa a um casamento forçado, passando por pedidos de divórcio ou reclamações sobre herança, diz o comunicado. Em alguns países, "os autores [desses crimes] podem mesmo serem tratados com admiração. [...] "Estima-se que uma mulher em cada grupo de três no mundo é agredida, violentada ou vítima de outras espécies de abusos durante sua vida. E esses atos são cometidos, na maioria das vezes, na família".

O fato impressionante nisso tudo é que aquilo mais foi luta dos movimentos em defesa da mulher, a emancipação, pouco ou quase nada tem servido para redução dos abusos: "Embora o principal motivo alegado pelas mulheres [vítimas] para explicar por que não renunciam a uma relação violenta seja a falta de autonomia financeira (...), a violência doméstica também está em alta em países onde as mulheres atingiram um alto grau de independência econômica"; segundo Navi "conhece-se bem os casos de mulheres que são empresárias brilhantes, parlamentares, advogadas, médicas, jornalistas e universitárias que levam uma vida dupla: aplaudidas pelo público e vítimas de abusos em casa".

Ligações a esta post:
Para meu comentário acerca da pesquisa realizada pelo Portal No Minuto, clica aqui.