terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Manuel Rui, o verde e a janela de Sónia

Por Pedro Fernandes

Com o escritor Manuel Rui, em setembro de 2009, Salvador.

1. Essas notas ainda vêm do Congresso Internacional da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa realizado em setembro deste ano em Salvador. Em ouras ocasiões falei sobre Maria Teresa Horta, sobre Cleonice Berardinelli e agora abro espaço para falar sobre a figura do angolano Manuel Rui, com quem tive o privilégio de conversar e ver o  lançamento de seu novo livro Janela de Sónia, o qual ainda infelizmente o tempo não me deixou ler, mesmo tendo já começado várias vezes, uma, quando ainda no avião de volta para casa.

2. Manuel Rui é figura respeitadíssima na comunidade da literatura de língua de portuguesa. Foi o autor do Hino Nacional de Angola e como escritor autor de uma arrebatadora escrita que põe em questão a situação de África, de seu país de origem e de seu povo; pelo menos foi o que pude constatar nas sessenta primeiras páginas do Janela de Sónia e na leitura de alguns textos disponíveis na web sobre sua obra.

3. Nasceu em  Huambo, em 1941, ainda quando Nova Lisboa, e tem atividade em diversas áreas, além da literatura. Homem de uma nação em construção, depois do fatídico (e por que não dizer sem sentido) projeto de colonização empreendido pelos portugueses até 1974, Rui tem participação na vida política depois de se terminar o curso de Direito.

4. Vive em Luanda e é autor de uma obra vastíssima, abrangente e multifacetada não restrita aos livros, mas integrada à colaboração em diversos jornais e revistas, antologias de ficção e de poesia. Interessado em expandir as fronteiras da literatura de seu país mundo afora, Rui foi membro fundador da União dos Artistas e Compositores Angolanos, da Sociedade de Autores Angolanos e da União de Escritores Angolanos.

5. E lembro aqui o poema "O verde" que Manuel Rui compôs para os leitores que estavam próximos dele nos corredores da Universidade Federal da Bahia e do qual trouxe comigo uma fotocópia. Estava empolgado por estar em Salvador, uma parte de África no Brasil, conforme definiu um dos escritores que estavam na mesma comitiva de Rui e, pelo ir e vir dos monitores do evento, que trajavam verde, veio o poema.

6. Algumas obras que descobri do autor, além de Janela de Sónia são Quem Me Dera Ser Onda (Prémio Caminho das Estrelas; adaptado para teatro e televisão e com várias reedições), Crónica de um MujimboRiosecoUm Anel na Areia, entre outros. Tomara alcance ler essa obra e voltar aqui para falar sobre; receio que estou diante de uma literatura que terá muito a me dizer.