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Mostrando postagens de Dezembro 2, 2008

Carlos Heitor Cony, fragmentos biobibliográficos

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Na hora de pagar, alegando não ter nota menor, deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espantado, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.

Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado como lágrima.
(O suor e a lágrima)



Carlos Heitor Cony nasceu no Rio de Janeiro, em 1926; cursou filosofia no Seminário São José. Logo no início de sua carreira literária ganhou por duas vezes consecutivas o Prêmio Manuel Antônio de Almeida (em 1957 com o romance A verdade de cada dia e em 1958 com Tijolo de segurança). E, depois, desses dois livros, escreveria um título por ano até 1960, quando veio a Ditadura Militar; só voltaria aos romances em 1995.

Mas, além de escrever romances, o escritor, iniciou-se no processo de escrita pública quando foi t…