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Mostrando postagens de Novembro 25, 2008

Ferreira Gullar

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Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.



Nascido em S. Luís do Maranhão, em setembro de 1930, registrado como José Ribamar Ferreira, Ferreira Gullar fez sua estreia na poesia em 1949 com o livro Um pouco acima do chão. Em 1951, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar como jornalista.

As experimentações gráficas contidas no seu livro A luta corporal (1954) motivaram sua aproximação com os poetas paulistas Décio Pignatari e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, que lançariam mais tarde o movimento da Poesia Concreta (1956). Inicialmente, Gullar participou do movimento, mas afastou-se em 1959 para criar o grupo Neoconcretista.

No início dos anos 60, o poeta dedica sua poesia mais a temas sociai…