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Mostrando postagens de Outubro 17, 2008

Itinerários da poesia de Zila Mamede

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O cavalo e menino


a Pablo Picasso

Era o cavalo em pêlo
em pêlo era o menino, e os dois
- mais sua solidão, mais seu destino.

Ninguém sabe se o cavalo angustiava
a tarde,
se do menino era a angústia
que o cavalo tocava.

Os dois passavam sempre abstraídos
(na tarde que continham)
da campina de cinzas que os cercava.

Se de um, se de outro, súbito
chegava o grave canto,
já se sabia – era a tarde dos dois:
que a do menino,
contida numa estrela aparecia,
e a do cavalo,
sobre montões de feno se dobrava.

(Zila Mamede, Exercício da Palavra)



Este é o quarto livro de Zila Mamede, onde toda sua poesia foi reunida, codificada, projeto que delimita fases, mas quer sobretudo, encontrar a linguagem despojada, assumindo um processo que alcança o grande valor de procurar/tentar novas soluções para o verso.
[...]


Um livro que pode ter uma virtude: não peca, pela unicidade, pela virtude bem comportada de um equilíbrio de fórmulas, vez e tema. Para aqui, confluem as várias vozes do poeta, sua pesquisa incessante, sua hora de i…