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Mostrando postagens de Setembro 19, 2008

Itinerários da poesia de Zila Mamede

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Mar morto

Parado morto mar de minha infância
sem sombras nem lembranças de sargaços
por onde rocem asas de gaivotas
perdendo-se num rumo duvidoso.

Pesado mar sem gesto, mar sem ânsia,
sem praias, sem limites, sem espaços,
sem brisas, sem cantigas, mar sem notas,
apenas mar incerto, mar brumoso.

Criança penetrando no mar morto
em busca de um brinquedo colorido
que julga ver no morto mar vogando.

Infância nesse mar que não tem porto,
num mar sem brilho, vago, indefinido,
onde não há nem sonhos navegando.

(Zila Mamede, Rosa de Pedra)

Conheci-a em princípios da década de 70, quando João Cabral de Melo Neto me pediu que enviasse a Zila algumas das edições raras de sua obra, que eu tinha aqui na biblioteca, e de que ela precisava para a bibliografia crítica da oba de Cabral, que estava elaborando. Comuniquei-me com Zila, para saber o que ela desejava receber, mas Zila achou que seria imprudente correr o risco de um extravio postal, dispondo-se a vir um dia a S. Paulo. Bastou ela dizer isso …