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Mostrando postagens de Agosto 22, 2008

Cadáveres adiados

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Olhos secos
inchados, fúnebres
[olhos amarelos, secos]
retr(atos) da fome.

Corpos secos
estirados à sarjeta da África
à cobiçarem comida,
fonte de v(ida).
cadáveres secos-vivos
retratos do des(caso) cobiça.

A mãe África
sem futuro-teto-perspectiva
é um mundo assombrado,
de fantasmas tísicos
secos, do(entes), cambaleantes de fome.

Terra tão rica
fica tão abando(nada)
é lembrada
somente pelo ouro, diamante
roubada, saqueada.

Men(inos) da mãe África
olhos secos de água
lágrimas sustento
dos sonhos abortados 'inda criança
sem esperança de vida [nada]
somente à espera de comida
são cadáveres adiados.

Nas cerca(nias) da fome [sem nome]
mãe África expõe ao horizonte
o rastro sujo de sangue,
o podre lixo, luxo do poder
enquanto uns têm para dar [e não dão]
e vender; outros matam, vendem o que não tem
o corpo.a vida. os sonhos. a alma
para comer, senão matam a si próprios
e se comem.

Urubus nus
de asas abertas
em vôos rasantes
à procura de carniça [certa]
povoam o azul-céu cobiça
azul…