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Mostrando postagens de Junho 25, 2008

Desenredos em Guimarães Rosa

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Por Cleusa Rios P. Passos


"A gente vive, eu acho, é mesmo para se desiludir e desmisturar"  (Grande sertão: veredas)
Dentre os processos compositivos de João Guimarães Rosa, destaca-se o modo lúdico e laborioso de "contar desmanchando", despertando no leitor ressonâncias sutis de causos e estórias, já narrados ao longo de sua obra ou da tradição literária. Paralelamente, o ato de desenredar se faz um de seus traços profícuos, ao lado da mistura de temas, tempos, processos lingüísticos e formas literárias, já assinalada pela crítica.
Título de renomado texto de Tutaméia, Terceiras Estórias (1967), o desenredo tanto ganha o papel interno de mudança das relações do casal-protagonista (Jó Joaquim e Livíria / Rivília / Irvília) quando opera a reelaboração de elementos bíblicos (Adão / Eva, Jó) e ficcionais (Odisséia). Reiteram-se aí a inserção de suas narrativas na estória e tradição literárias, bem como a presença de um trabalho determinado, em grande parte, pela lingu…