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Mostrando postagens de Agosto, 2008

Em busca do ouro, de Charles Chaplin

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Aventura passada no Alasca traz a famosa cena em que o personagem Carlitos executa a dança dos pãezinhos
É uma tarefa sempre injusta escolher títulos de Charles Chaplin para uma lista de películas essenciais. Como deixar de fora O grande ditador (1940), sátira contra os nazistas com aquele antológico monólogo do final? E ainda o meigo e apaixonado Luzes da cidade (1931), um exemplo de como deveriam ser as comédias românticas? Mas, como o próprio Chaplin afirmou, o filme pelo qual ele mais esperava ser lembrado é Em busca do ouro. Lançada em 1925, a produção é uma das muitas protagonizadas pelo personagem Carlitos, o vagabundo patético e carismático que se mete em confusões e nunca perde o bom humor e a alegria de viver.
Durante a corrida do ouro do final do século 19, Carlitos vai ao Alasca tentar a sorte no garimpo. Lá, ele conhece Big Jim, garimpeiro experiente que encontrou a montanha de ouro, mas perdeu a memória. Ao mesmo tempo, Carlitos se apaixona pela bela Georgia, por quem p…

Dez livros marcados pela bebedeira

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Depois da postagem sobre o trabalho de Fernando Pessoa em criar um slogan para uma bebida hoje corriqueira em mais de meio mundo, lembramos sobre o gosto do poeta não pelo refrigerante mas pelo vinho. Sabe-se que o português levou o resto da vida entregue à embriaguez perfazendo assim – pela bebida – uma revisitação de outros planos do sentido como sempre foi gesto dos verdadeiros poetas.
Além de Fernando Pessoa, é possível lembrar de Charles Baudelaire e Charles Bukowski, de Vinicius de Moraes e William Burroughs. O primeiro dizia em "Embriagai-vos" que "É necessário estar sempre bêbado / Tudo se reduz a isso; eis o único problema / Para não sentirdes horrível do Tempo que vos  / abate e vos faz pender para terra, é preciso que vos embriagues / sem cessar".

Mas, muitos outros poetas fizeram da bebida uma profissão de fé; e antes de todos esses nomes, Horácio, na Roma antiga já dizia, numa apologia à necessidade de o poeta aguçar os sentidos, que o poeta que bebe…

Mídia e educação

Por Pedro Fernandes

A idéia para a composição deste texto partiu quando de “zapping” parei num desenho animado que passava em determinado canal de televisão e que mostrava uma comunidade de formigas. Algo me chamou atenção. Foi justamente as feições humanas atribuídas aos insetos e isso me fez retomar outros desenhos animados. Por exemplo, lembrei-me bem dum episódio da Disney em que o pato Donald julgava-se dono do Pluto; de quando Bob Esponja não conseguia amarrar o cadarço do tênis; etc. A humanidade é mesmo prepotente, pensei comigo, é a única que sente necessidade de atribuir caracteres e modelos seus aos animais ou aos seres inanimados.

Mas o que me mais me interessou no desenho das formigas é que estas se apresentavam com problemas de convivência tais quais os nossos; isso a Biologia prova que não existe, aliás, as colônias do mundo animal são sempre modelos para uma sociedade a Thomas Morus. Outro detalhe que captei ainda desse episódio foi a pungência do general formiga em rela…

As veias de Saramago poeta (II)

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Por Pedro Fernandes
Por motivo de viagem, sai mais uma vez o Letras in.verso e re.verso para uma pequena estadia sem postagens. Volto muito provavelmente na segunda-feira próxima, já no mês de Machado de Assis. Deixo aos leitores um tema que poderá dar o que falar. Refleti aqui, certa vez, sobre a fala de um professor e crítico literário que falava acerca da pontuação insólita do escritor português José Saramago; em seguida apresentei um Saramago não tão conhecido dos leitores, o Saramago poeta. Hoje retomo a esta última post para fazer o que fiz no primeiro, refletir em torno de outro artigo, esse do professor de Teoria da Unicamp Alcir Pécora, em que ele afirma ser o escritor português tudo, exceto poeta, num artigo para a Folha de São Paulo logo quando do lançamento do livro O ano de 1993, publicado em Portugal em 1975 e no Brasil, ano passado.


No silêncio dos olhos
Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remo…

Cadáveres adiados

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Olhos secos
inchados, fúnebres
[olhos amarelos, secos]
retr(atos) da fome.

Corpos secos
estirados à sarjeta da África
à cobiçarem comida,
fonte de v(ida).
cadáveres secos-vivos
retratos do des(caso) cobiça.

A mãe África
sem futuro-teto-perspectiva
é um mundo assombrado,
de fantasmas tísicos
secos, do(entes), cambaleantes de fome.

Terra tão rica
fica tão abando(nada)
é lembrada
somente pelo ouro, diamante
roubada, saqueada.

Men(inos) da mãe África
olhos secos de água
lágrimas sustento
dos sonhos abortados 'inda criança
sem esperança de vida [nada]
somente à espera de comida
são cadáveres adiados.

Nas cerca(nias) da fome [sem nome]
mãe África expõe ao horizonte
o rastro sujo de sangue,
o podre lixo, luxo do poder
enquanto uns têm para dar [e não dão]
e vender; outros matam, vendem o que não tem
o corpo.a vida. os sonhos. a alma
para comer, senão matam a si próprios
e se comem.

Urubus nus
de asas abertas
em vôos rasantes
à procura de carniça [certa]
povoam o azul-céu cobiça
azul…

As bruxas de Salém, de Nicholas Hytner

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Por Pedro Fernandes



As bruxas de Salém (The crucible, no original) é uma peça de teatro escrita por Arthur Miller que ganhou adaptação para o teatro ainda em 1953. Depois de bastante elogiada pela encenação na Broadway,  a obra ganhou duas adaptações para o cinema: uma, na França, em 1957 por Jean-Paul Sartre; e outra, a mais famosa, feita pelo próprio Miller, que recebeu a indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, em 1996. Além do teatro e do cinema, o texto de Miller serviu ao compositor Robert Ward para uma ópera; pelo trabalho, Ward recebeu o Prêmio Pulitzer.

É um texto de forte incursão alegórica. Arthur Miller utiliza os acontecimentos históricos de 1692, na pequena vila de Salém, quando algumas meninas ficaram doentes e foram vítimas de alucinações e convulsões, evento que levou uma série de investigações e perseguições à mulheres pela Inquisição, como elemento para expor outro dado histórico, o dos acontecimentos durante a década de 1950 que ficou conhecido como Macartismo…

Jorge Fernandes, o poeta de vários atos

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Por Pedro Fernandes




Cento e vinte um anos nos separam do nascimento de Jorge Fernandes de Oliveira ou simplesmente, como ficou conhecido, Jorge Fernandes. O poeta nasceu em Natal no dia 22 de agosto de 1887. De uma família de outros poetas, destacando-se Sebastião Fernandes, Jorge não se apresenta na cena literária potiguar já com seu Livro de Poemas, o que mais na frente lhe dará o respaldo merecido, mas com um outro pequeno livro em parceria com Ivo Filho, chamado Contos & Troças – Loucuras. Trata-se dum livro composto de contos humorísticos e de poesias, sendo que a prosa coube a Jorge e a poesia a Ivo. Além deste, publicou o autor pequenas peças de teatro. Todas, ao dizer do crítico Tarcísio Gurgel, sem maior importância.

A sua família nunca fora de muita monta no Estado. Seus pais Manoel Fernandes de Oliveira e Francisca Fagundes Fernandes tiveram ainda, além Jorge e Sebastião mais oito filhos. Era o pai apenas professor público, desenhista, dominava o latim e a mãe, dona-de-ca…

De Gabriel a Noel, uma festa na terra outra no céu, de Paulo Martins

Neste espaço notas acerca do livro de Paulo Martins, De Gabriel a Noel: uma festa na terra e outra no céu. Paulo é um poeta de Natal, o qual tive a honra de conhecê-lo no lançamento desse seu livro na IV Feira do Livro de Mossoró no stand do Jornal De Fato. Confesso que apenas folheei o livro dele e dei uma rápida corrida de vista pelos poemas, tanto que me restrinjo a falar que se trata de um livro que, certamente, deve ele ter feito uma vasta pesquisa acerca das letras e também um vasto duelo com as palavras a fim de que elas ainda que soltas encaixassem-se e dessem forma aos poemas. É um trabalho interessante e que mostra, antes de tudo, que o fazer poético não está de forma alguma atrelado ao insight ou inspiração como ainda parecem crer a maioria das pessoas. Transcrevo a seguir resenha publicada no Jornal Tribuna do Norte que, ao meu ver apresenta bem o que venha ser esse livro. (Pedro Fernandes)

"De Gabriel a Noel": um livro em forma de homenagem

O poeta e compositor …

Os úberes do infinito, de R. Roldan-Roldan

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Por Pedro Fernandes