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Mostrando postagens de 2007

Mensagem de Natal?

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Bom, às vesperas da data que instituimos para comemorar o nascimento daquele que foi o grande e o mais mal interpretado filósofo, assim posso dizer, só resta desejar a todos os meus amigos tudo de bom; que não nos preocupemos com presentes materiais como muitos fazem nessa época de capital desenfreado... Desejo esse feliz natal não apenas aos amigos, mas também àqueles que sem nada o que fazer na net esbarram por aqui e acabam de uma forma ou de outra fazendo com que este blog aqui permaneça. Não entro em recesso... só fico um pouco mais lento nas postagens, mas paciência; as coisas estão mesmo corridas e, por mais que tentemos não aderir a esse desenfreado mundo que vivemos ainda assim ele nos arrasta.

O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago

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Se tem uma coisa que tem intrigado muita gente que ainda se vê enfiada nos cânones religiosos, principalmente o cristão, é mexer com o sagrado; lembro-me bem de um congresso que fui neste ano e falei sobre as personagens Deus e o Diabo dessa obra-prima da literatura que é O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago, e um senhor da platéia que assistiu aos meus quinze mirrados minutos de apresentação... Saramago só não recebeu o nome de Deus noutras conversas rápidas que tive com ele, depois, no alojamento... Mas oh, tem uma coisa, cá pra nós, O Evangelho deveria mesmo ser pregado nas homilias e cultos religiosos cristãos porque nunca li (e olha que já li os quatro da Sagrada Escritura) obra com real beleza e proximidade à figura do Cristo tão exorcizada do discurso religioso cristão.
O livro O Evangelho segundo Jesus Cristo do escritor português José Saramago é uma experiência literária imperdível. Publicado em 1991, o livro tornou-se um dos mais polêmicos da carreira do escri…

Myriam Coeli

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Entre sombra e pedra desfolhada rosa solitário espinho que, alado e mudo, perpassa o tempo. (O tempo do tempo que tempo já era).
Myriam Coeli
É uma escritora potiguar de fundamental importância ao cenário da literatura do Rio Grande do Norte. Nascida em Manaus, em 19 de novembro de 1926, foi trazida ainda criança para São José do Mipibu, cidade interiorana do estado. 
Estudou em Natal e no Recife; e fez os estudos finais em Espanha onde diplomou-se pela Escola Oficial de Jornalismo de Madrid. Com isso foi a primeira profissional mulher no jornalismo a ocupar o devido lugar trabalhando em jornais como Diário de Natal, Tribuna do Norte e A República.




Publicou sua primeira obra em 1961: Imagem virtual, escrito em parceria com o seu marido Celso da Silveira; em 1980, saía do prelo o segundo título, Vivência sobre vivência e Cantigas de Amigo (1981), este último o mais conhecido e o terceiro, Inventário.

Morreu em 1982, vítima de um câncer.

Crítica em torno de sua obra

O universo poético de Myriam Coel…

Rememorando Auta de Souza

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Por Pedro Fernandes




Que tempo estive não sei!
Do mundo inteiro distante,
O jardim naquele instante,
Foi a terra que eu amei.

(fragmento do poema Goivos, Auta de Souza)

Há 106 anos, no dia 7 de fevereiro, falecia, vítima da dama branca – assim era como chamavam a tuberculose – a poetisa potiguar Auta de Souza. Filha de Eloy Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina de Souza e irmã de dois políticos intelectuais, Henrique Castriciano e Eloy de Souza, Auta nasceu em Macaíba em 12 de setembro de 1876; tinha então exatos 24 anos quando da sua morte. Falando em morte, essa foi fiel em torno de sua existência, uma vez que sua mãe morre quando ainda só tinha três anos e seu pai quando tinha cinco anos de idade, levando-a de Macaíba, sua terra natal, para morar com seus avós maternos, em Recife, sendo que, seu avô havia falecido também no mesmo ano em que o pai morrera, 1882. Ainda mais tarde outra vez ela, a morte, vem marcar-lhe sua vida e talvez essa marca ela tenha carregado consigo durante t…

Rádio-documentário sobre Auta de Souza

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Na próxima segunda-feira, dia 10 de dezembro, será apresentado o rádio-documentário À Sombra do Horto aos ouvintes da Rádio Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O trabalho que cumpre o resgate da memória sobre a poeta potiguar trata-se do projeto de conclusão do curso de Lady Dayana Silva de Oliveira, do Curso de Comunicação. A apresentação terá uma recepção a partir das 17h, no Auditório do Laboratório de Comunicação da UFRN-LABCOM, prédio por trás da Superintendência de Comunicação.
O rádio-documentário À Sombra do Horto é o primeiro da série intitulada Filhos da Terra, com o objetivo de resgatar a história de personagens ilustres do estado e começa pela cidade de Macaíba com Auta de Souza, um dos nomes da poesia potiguar.

Com duração média de 13 minutos, o programa conta com a participação de professores, pesquisadores, músicos e poetas, que relatam fatos sobre a vida e obra da poeta, narrando de uma forma dinâmica e emocionante a história da poeta que con…

Dois poemas de Auta de Souza a partir do minicurso sobre poeta potiguar

A idéia de se fazer algo sobre Auta de Souza me veio ainda no ano passado quando tive contato com a produção poética sua. A proposta inicial era fazer uma exposição a partir da obra para apresentá-la durante a Semana de Letras na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mas, não deu certo. De exposição, a idéia transformou-se em minicurso, de minicurso colocaram na programação como oficina. Acabou que ficou, pois, um minicurso com nome de exposição e cara de oficina.

O minicurso sobre Auta de Souza iniciou com discussões sobre sua poesia, os traços e temas da criação poética e o poder poético de exploração dos sentidos. Parou-se para discutir sobre a natureza do poema, seus aspectos formais,  a relação poesia - escritor - obra - público e desenvolveu-se observações sobre o contexto da literatura potiguar onde se "hospeda" a poesia de Auta de Souza.

Abaixo, o recorte com dois poemas, o primeiro, é escrito no advento de sua escrita, o último, três dias antes da sua morte. 



Minicurso sobre Auta de Souza em destaque na mídia local

Abaixo cópia da matéria publicada no dia 02 de dezembro no caderno Domingo do Jornal De Fato sobre o minicurso acerca de Auta de Souza ministrado por Pedro Fernandes e que terá início amanhã as 8h
Os escritores potiguares que deixaram obras que hoje podem ser incluídas como literatura potiguar, sobretudo nos séculos XIX e XX, muitas vezes não são lembrados dentro do próprio Estado. Entre esses autores está a poetisa Auta de Sousa. Com o objetivo de divulgar mais sobre a vida e a obra dessa poetisa potiguar, os que se interessam pelo tema terão um espaço importante para isso, dentro da XIV Semana de Letras e Artes, a ser realizada no período de 3 a 7 deste mês, pelos departamentos de Letras Vernáculas, Letras Estrangeiras, de Artes e de Filosofia da Uern.
Dentro da programação está prevista oficina com o tema "Literatura Potiguar: Auta de Souza in verso e (re) verso", que será ministrada de 4 a 6 deste mês, das 8h às 10h, pelo estudante do sétimo período de Letras Pedro Fer…

José Lezama Lima: o peregrino imóvel

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Por Eliseo Alberto


José Lezama Lima (1910-1976), poeta universal do século XX cubano morou apenas em duas casas em 66 anos e só viajou três vezes ao estrangeiro – quando criança, aos Estados Unidos, e adulto, ao México e à Jamaica. Ao recordá-lo, além da admiração, não posso deixar de perguntar-me se será certo que na hora de sentarmo-nos a relatar a história de nossos povos órfãos, ao menos nas versões emocionais do acontecido, a contundência da “verdade” resulta mais importante que a vibração do “mito”. A vida e a obra de Lezama logram um equilíbrio de aparência muito forte: desde a descoberta de sua vocação literária, feitiço que terá convertido em seu próprio talismã, sua idolatria, o escritor enclausurou o nome José entre quatro paredes de verbos e sonoridades; essa submissão, sem dúvida, foi o estímulo suficiente para realizar a façanha de nos propor um mundo tão deslumbrante como real, uma Cuba, uma Havana, um espaço onde a imagem devia estar à frente aos feitos, na convicção d…

David Mourão-Ferreira: o homem e a obra

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Por Teresa Martins Marques


David Mourão-Ferreira nasceu em Lisboa, em 24 de Fevereiro de 1927, tendo falecido nesta mesma cidade, em 16 de Junho de 1996. Personalidade multifacetada, foi poeta, ficcionista, tradutor, dramaturgo, ensaísta, cronista, crítico literário, conferencista, professor. Licenciou-se em Filologia Românica (1951) com a tese «Três Coordenadas na Poesia de Sá de Miranda», pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Integrou os corpos redactoriais das revistas Seara Nova e Graal (1956-1957). Teve a seu cargo a rubrica de crítica de poesia no Diário Popular (1954-1957). A partir deste ano exerceu funções docentes na Faculdade de Letras como assistente, tendo desenvolvido um excepcional trabalho de organização e regência da recém criada cadeira de Teoria da Literatura, onde desenvolve estudos pioneiros em Portugal, sobre o new criticism. Em 1963 o seu contrato foi rescindido, vindo a ser novamente reconduzido a partir de 1970, leccionando Literatura Portuguesa …

salvação

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Despido de minha alma,
Na calma da noite,
Anjo decaído,
Divaguei por terras alheias de meu pensamento vago.
Encontrei como minha cara espichada num Cristo
– esquema ilusório.

Uma lágrima virada em rio caudaloso.
Voz suave no silêncio do tempo,
Estou preso num leve desespero.
Enxergo-me atraído pelo inferno dantes.
Não quero mais dormir.

Olhei minha alma por vezes cortada no espelho,
Cheiro de morte no ar,
Estou prestes a pular no cansaço de meus olhos.
Desperdicei meu tempo preso em mim.

Preciso de palavras pra esse caso de emergência.
Pra cumprir um poema sem nexo.
Sem cor, sem amor, um poema suicida.
Preciso das sombras delas pra dilatar meu funeral.
Debaixo do tempo me esconderei,
Amarrado no desespero.

Nunca me vi alma vil presa – estranhei.
Cedo ou tarde tenho de me despedir de mim.
Voltar ao começo:
Anjo decaído preso no tempo
– pensamento vago.
Cara espichada em versos verde lodo
– Cristo bugre.
Alma cingida por fitas vermelhas
– o desespero, uma solidão nua.
Prestes a jogar-s…

Minicurso Auta de Souza in verso e (re) verso

Este é o minicurso será administrado por Pedro Fernandes, aluno do curso de Letras/Língua Portuguesa, a partir de quarta-feira, dia 04 de dezembro, durante a XIV Semana de Letras e Artes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

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Auta de Souza nasceu em Macaíba (RN), em 12 de setembro de 1876. Filha de Eloy Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina de Souza e irmã de dois políticos e intelectuais, Henrique Castriciano e Eloy de Souza, aos 14 anos apareceram os primeiros sinais da tuberculose, obrigando-a a abandonar os estudos e a iniciar uma longa viagem pelo interior do Rio Grande do Norte em busca da cura.

É uma das autoras potiguares que mais ficou conhecida fora do estado. Sua poesia, de um romantismo ultrapassado e com leves traços simbolistas, circulou nas rodas literárias do país despertando sempre muita emoção e interesse, e foi fartamente incluída nas antologias e manuais de poesia das primeiras décadas.

A peregrinação pela cura não surtiu efeito e Auta de Souza mor…