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Kazuo Ishiguro, Prêmio Nobel de Literatura 2017

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“Num tempo em que impera a incerteza sobre os valores do mundo, seus líderes e sua segurança”, o escritor britânico Kazuo Ishiguro, galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura em 2017, espera que o feito de alguém como ele a receber esta “magnífica honra” contribua para “alentar, embora de uma maneira pequena, as forças da benevolência e da paz”.
O autor de Os vestígios do dia recorda como soube da recepção do Nobel: “Estava sentado na cozinha, escrevendo uns e-mails e preparando-me para uma refeição matinal, quando meu agente me ligou e disse que acreditava ouvir anunciar que haviam me dado o Nobel. Mas, nestes tempos de falsas notícias, não acreditei até receber o contato da BBC”. E reafirma um discurso comum a outros ganhadores. “Nunca acreditei ser um candidato. Pensava que era algo apenas para os autores mais velhos e isto me fez compreender que já sou um. Foi uma verdadeira surpresa”.
O prêmio para Ishiguro é uma surpresa ainda porque seu nome não figurava nas listas de aposta…

Boletim Letras 360º #240

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Uma semana intensa. Veio com grandes e preciosas novidades do mercado editorial; lançamentos de cair o queixo. E recuperamos aqueles que acompanhamos através de nossa página no Facebook. E, por falar em grandes lançamentos, se preparem que uma nova promoção vem aí.


Segunda-feira, 09/10
>>> Brasil: A poeta e colunista do Letras in.verso e re.verso Fernanda Fatureto apresenta seu novo livro
Ensaios para a queda, título que faz menção ao livro A viagem vertical, de Enrique Vila-Matas é o segundo título de Fernanda Fatureto e é apresentado pela Editora Penalux. O livro dividido em três partes (Travessias, Miragem e Polifonia) reúne poemas que falam da queda humana – o abismo, a condição falha que conduz a humanidade ao seu limite e também à redenção. A poeta dialoga com autores que permeiam seu imaginário poético tais como Paul Celan, Maria Gabriela Llansol, entre outros, em que é possível traçar afinidades. No prefácio à obra o poeta, escritor e jornalista André Caramuru Aubert a…

Lolita, amor e perversão

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Por Rafael Kafka


Lolita não é um romance de amor. Isso é tão óbvio, mas dito com um ar de crítica profunda por pessoas de setores supostamente progressistas que adoram censura baseada em uma leitura apologitiva de obras de arte. O neologismo que emprego aqui serve para designar uma visão na qual as pessoas acham que toda obra de arte serve para enviar uma mensagem grandiloquente sobre a vida, talvez influenciadas demais por livros de Paulo Coelho e filmes de Jim Carrey. O que elas esquecem é que arte é vontade de mostrar algo usando determinada técnica. Nada mais. Mesmo que esse nada mais gere uma série de efeitos e reflexões muito interessantes.
Assim, Lolita não se propõe a ser um romance romântico. Nabokov na verdade nos ajuda a refletir na essência do sentimento amoroso como algo que pode ser bastante pervertido. Pensei nisso quando vi o intenso Love, do brasileiro Gaspar Noé e depois decidi ler comentários sobre o filme em uma rede social. Muitas pessoas dizendo que o filme na ver…

O céu de Lima, de Juan Gómez Bárcena

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Por Pedro Fernandes



“O amor é um discurso, meu amigo, é um folhetim, um romance, e se não for escrito na cabeça, ou no papel, ou quer que seja, não existe, fica pela metade; não passa de uma sensação que imaginou ser um sentimento...” Esta frase não é do narrador de O céu de Lima; é de uma personagem desse romance do espanhol Juan Gómez Bárcena, o bacharel Cristóbal, um missivista por encomenda que vive nas ruas de Lima do início do século XX a escrever cartas para gente diversa, daqueles não alfabetizados e precisam comunicar qualquer coisa por escrito ao Estado ou aos parentes distantes a aqueles alfabetizados mas que não sabem ao certo como dispor no papel seus estados de espírito sobretudo nos casos de fortes amores, especialidade esta pela qual quer ser reconhecido e por isso o gesto que pratica com melhor gosto.
A sentença cética e irônica de Cristóbal vem numa longa conversa com Carlos Rodríguez, quando o jovem rapaz começa a pensar juntamente com o amigo José Gálvez qual o des…

Os ventos (e outros contos), de Eudora Welty

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Por Pedro Belo Clara 


Nascida no estado do Mississípi, durante a primeira década do século passado, Eudora Welty desenvolveu um trabalho sólido e veramente diversificado, o que lhe valeu a digna integração no restrito lote das mais marcantes personalidades da literatura estaduniense do século XX.
Embora se tenha dedicado de forma mais constante à narrativa breve, de igual modo revelou os seus brilhantes dotes na área do romance e até do ensaio, conquistando em 1973 o Prémio Pulitzer com a obra The Optimist’s Daughter (numa tradução livre, “A Filha do Optimista” – obra que até à data ainda não mereceu uma versão portuguesa).
Os temas em regra propostos pela autora, assim como as suas pessoais abordagens ao processo narrativo, não sofreram grandes flutuações de obra para obra. Tendo por base o cenário que frequentemente imprimia em seus trabalhos, assim como o descrever dos costumes da época, Welty evoca traços que facilmente se encontrarão em autores como John Steinbeck, Carson McCull…

Essa estranha instituição chamada literatura: uma conversa com Jacques Derrida

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Por Fernanda Fatureto


Em 1989, o acadêmico sul-africano Derek Attridge entrevistou Jacques Derrida e a conversa foi reunida no livro Acts of Literature, do filósofo francês. Em 2014, a Editora UFMG reuniu esse diálogo e o publicou no Brasil em 118 páginas sob o título Essa estranha instituição chamada literatura, com apresentação do pesquisador Evando Nascimento. Abaixo, algumas notas acerca das afirmações de Jacques Derrida sobre a literatura:
1. A literatura é a instituição que permite dizer tudo. O espaço da literatura não é somente o de uma instituição fictícia, a qual, em princípio, permite dizer tudo. Dizer tudo é, sem dúvida, reunir, por meio da tradução, todas as figuras umas nas outras, totalizar formalizando; mas dizer tudo é também transpor os interditos. É liberar-se – em todos os campos nos quais a lei pode se impor como lei. A lei da literatura tende, em princípio, a desafiar ou a suspender a lei. É uma instituição que tende a extrapolar a instituição.
2. A instituição d…

Há muitos Faulkner

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Por Juan Tallón


Há algumas semanas, numa biografia pouco conhecida, li que William Faulkner trabalhou durante três meses na fábrica de armas Winchester, em New Haven (Connecticut). Fiquei petrificado, desconcertado ante a sorte de trabalhos que alguns autores precisam assumir às vezes para chegarem a viver da escrita. Até esse ponto amam a literatura. Por outro lado, senti-me fascinado, pois num momento de nossa infância, quando a televisão exibia westerns a toda hora, os meninos queríamos ter um Winchester e um cavalo. Só anos depois, talvez poderemos querer escrever como Faulkner. Pareceu-me que aquele emprego na fábrica de rifles explicava muitas coisas, embora não soubesse quais. Talvez que Faulkner seria um grande escritor, antes ou depois. Um escritor, depois de tudo, não pode ser apenas um escritor. Nesse caso não tardaria em deixar de sê-lo. Até alcançar essa condição, peregrina por outros empregos, inclusive outras profissões. Há muitos Faulkner num só.
Na Oficina de Escrita …

Boletim Letras 360º #239

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Eis outra edição do Boletim Letras 360º. São as notícias copiadas do Letras no Facebook durante esta semana. A página alcançou agora a marca de 27 mil amigos. Novamente, só temos uma coisa a dizer: obrigado a todos!

Segunda-feira, 02/10
>>> Brasil: A moça do internato, de Nadiêjda Khvoshchínskaia é o primeiro texto da literatura russa a trazer uma personagem feminina com um discurso claro sobre a emancipação da mulher
Dentre as escritoras do século XIX que ajudaram a sedimentar a mulher como profissional de literatura e a agenciar representações de um feminino independente está Nadiêjda Khvoshchínskaia (1824-1889). A moça do internato é uma novela narrada em terceira pessoa, e estruturada em 13 capítulos. Liôlienka é uma jovem provinciana dos anos 1850 cuja vida muda ao conhecer Veritítsin, poeta e intelectual politicamente decadente que se torna seu vizinho. À adolescente, Veritítsin começa a apresentar leituras e visões de mundo que contestam os valores tradicionais, tais c…