sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares


Por Pedro Fernandes



“A verdadeira vida está em outra parte”. A frase, se não com essas letras mas com esse sentido – de que a vida que vivemos é um simulacro ou cópia de outra que se passa noutro plano – é do poeta francês Arthur Rimbaud. Ela é um eco das reflexões de Platão que diferenciam o mundo real e o mundo das ideias, repetida mais uma vez na célebre parábola da caverna. É esse imaginário que encontra reverberação profunda na cultura ocidental cristã através da ideia de vida eterna e depois, com as criações tecnológicas que primeiro buscaram romper com as ausências de sentidos sobre o outro e já agora projetam a construção de conglomerados virtuais onde se é possível forjar outras realidades possíveis num exercício muitas vezes de sobreposição ao que se tem como verdade palpável.

Pois bem, se todo esforço humano esteve canalizado em pensar e agora forjar essa realidade fora do comum, numa era de simulacros como a que vivemos, A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares, encontra ainda mais coerência que quando foi publicado – o texto é de 1940. Esta relação de quase-total aderência ao nosso contexto não apenas renova sua importância entre as obras inovadoras; esclarece como os conceitos são mutáveis ao longo da história. Usualmente, esta foi uma obra assinalada entre as produções literárias de cunho fantástico e de ficção científica e agora pela correlação de situações evocadas com a realidade de fora da narrativa já terá essa condição alterada para que situemos, claro sem desprezar o período de sua composição, entre as cunho realista, o que, por sua vez, atualiza também a ideia que se concebeu sobre o termo realismo, partilhando, evidentemente da noção não de período literário mas do advogado por Auerbach na arqueologia que faz do ideal mimético – outro conceito cuja base tem suas raízes nessa correlação de universos – um princípio de organização do narrado.

A invenção de Morel ensaia ainda fundir a narrativa de cariz policial com a psicológica – claro, Bioy habita um período fruto de uma geração literária profundamente afetada pela escrita de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, pelos romances de Virginia Woolf, William Faulkner e outras narrativas que subverteram profundamente a necessidade de organização lógica e usual da história. A tarefa de fundir um tipo de narrativa em que cada elemento precisa encontrar sua condição ideal de sentido – como é a policial – e outra cujo efeito é justamente o contrário, o de ludibriar o leitor pela confusão dos sentidos, se a princípio pode parecer inusual ou mesmo inalcançável, vê-se, foi uma das mais inovadoras para essa obra.

Mas, o que tem de fantástico, policial e psicológico em A invenção de Morel? E de ficção científica? O fantástico se manifesta quando, por mais que o narrador se esforce no trabalho de provar ao narratário que o que narra é uma verdade – questionável até, mas irrevogável – tudo, aos sentidos do narrador encontra-se envolvido numa atmosfera em suspensão, povoada de elucubrações poéticas: “Disponho de um dado que pode servir para que os leitores deste diário saibam a data da segunda aparição dos intrusos: as duas luas e os dois sóis foram visíveis no dia seguinte. Poderia tratar-se de uma aparição local; acho mais provável, porém que seja um fenômeno de miragem, feito de lua e sol, mar e ar, visível, certamente de Rabaul e de toda a região. Tenho notado que nesse segundo sol – talvez imagem de outro – é muito mais violento. Parece-me que entre anteontem e ontem houve um aumento infernal da temperatura. É como se o novo sol tivesse trazido um verão extremo à primavera. As noites são muito claras: há uma espécie de reflexo polar vagando no ar. Mas imagino que as duas luas e os dois sóis não sejam de grande interesse; devem ter chegado a todo lugar, pelo céu ou por informações mais doutas e completas”.

Na composição de Bioy Casares, no intuito de integrar sua obra entre aquelas de protocolos realistas, retoma outra atitude escritural presente nas narrativas do tipo: a presença de um narrador que, qual um historiador interessado na limpidez dos fatos, se preocupa em repassar o documentado usando apenas inserções que visam corroborá-lo. Apesar de, nesse caso, não encontrarmo-nos diante de alguém que encontrou ou recebeu um antigo manuscrito, mas a presença dessa figura se manifesta nas notas de rodapé que visam cumprir com o papel deste gênero textual – explicar o que o texto não pode explicar no interior de seu fluxo. Aqui, as notas respondem pelo trabalho de não interferência nos escritos agora revelados.



A invenção de Morel se compõe como se um diário; escrito por alguém que, aparentemente cansado do lugar-comum no mundo decide seguir os conselhos de um negociante italiano de tapetes em Calcutá de ir para uma ilha deserta famosa pela lenda de não escapar ninguém dos que a ela conseguiram chegar. Transbordando honestidade – porque desde logo sabemos que esse narrador cansado do lugar-comum no mundo não é apenas mais um movido pelo interesse de fuga para uma ilha onde possa se ver livre da existência mesquinha e dos outros que lhe cercam mas um fugitivo acusado de cometer um crime que não cometeu – eis o caráter de depoimento que reveste a estrutura narrativa desse diário. E está aqui o tom policialesco construído pelo escritor argentino: desde que chega a ilha, esse sobrevivente vive na surdina, principalmente porque descobre não está numa ilha totalmente deserta como foi-lhe informado. Há uma presença contínua de intrusos que, vez ou outra irrompem, em atitudes e vozes que o leitor só descobrirá a possibilidade de não está ante projeções psíquicas quando descobre quem é Morel e qual sua invenção. 

E é nesta ocasião que se explica a presença da forma ficção científica: tudo nesta é ilha é produto de um projeto mirabolante de criação cujo intuito é a reduplicação da realidade e logo uma forja da eternidade. O narrador se preocupa em detalhar o funcionamento desse estratagema; o projeto, seus elementos, sua composição e como se constitui o campo de simulacros e surrealidade onde se vê metido este narrador desde quando aporta na ilha e vê-se envolvido nos mistérios aí encontrados.  

Nunca seria honesto num comentário como este revelar o imbróglio narrativo, mas o leitor deve atentar para a possibilidade de que o narrado não deixe de ser sargaços de invenções psíquicas. Principalmente se lembrarmos que este texto de Bioy Casares homenageia abertamente A ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells, obra cujo enredo apresenta um médico cientista obcecado pela ideia de transformar animais em homens através de cirurgias e hipnose e acusado de construir criaturas monstruosas numa ilha tropical, para onde vai viver. Desinteressado pelo debate produzido por Wells com a obra de 1896, o escritor argentino transfere parte da ideia de forja da criação no exercício de criação psíquica e metaliterária. Confirma-se a metáfora proposta pelo amigo de Bioy, Jorge Luis Borges, para quem A invenção de Morel se constrói pela deriva de labirintos dentro de um labirinto. É nesse ínterim, que encontramos as incursões de cariz psicológico nessa narrativa.

A maestria de A invenção de Morel está na capacidade com que o seu autor gerencia a diversidade de situações e encontra uma afinação entre narrativas de forças distintas. Não fosse isso e um trabalho dessa natureza ruiria com o próprio peso. Mas, Bioy está tomado pela força entre peso e leveza (pensando nos princípios da criação propostos em Italo Calvino) e o que constrói é um texto cuja força se mostra mais vital à medida que os tempos se transformam. A narrativa revela-se um objeto de múltiplas faces, caleidoscópica qual os jogos de espelhos do projeto de redistribuição das imagens da realidade. Difícil é o leitor não se deixar enredar nesses labirintos que fundem criação e imaginação como atitudes fundamentais à literatura.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O riso de Eça de Queiroz


Por Antonio Muñoz Molina



Há paraísos possíveis, paraísos inesperados e acessíveis, paraísos terrestres ao alcance de quase qualquer pessoa, espaços e lugares de tempo que se abrem de imediato e que não necessitam durar muito para preencher as horas ou os dias que ocupam. Quando era jovem, intrigava-me muito isso que diz Borges – não me recordo onde – que não há dia em que não passemos ao menos alguns momentos no paraíso. Quando jovem, alguém tem uma predileção literária e às vezes insensatamente literal pelos infernos. Agora, cada vez que me encontro neste estado de serenidade, de júbilo contido e muitas vezes secreto, me recordo daquelas palavras sábias da velhice de Borges, e me dou conta de que os passatempos contemplativos favorecem muito essas epifanias. (Procuro evitar a palavra “experiência” porque os publicitários tornaram-na ao mesmo tempo onipresente e a esta altura já quase depreciável).

Um contemplativo não é um místico. É alguém que se vê extasiado de pura atenção ante uma maravilha qualquer do mundo exterior: um rio, a gente que passa através das janelas de um café, um quadro, uma árvore, uma peça de música, a beleza de alguém, a periferia de uma cidade desdobrando-se pela janela de um trem, a tipografia de um cartaz, o reflexo da rua numa vitrine, um livro. O passatempo pela leitura favorece ainda todavia a descoberta dos paraísos acessíveis. Don DeLillo disse que a literatura é um ofício muito conveniente, porque se pode exercer em qualquer lugar e com os materiais mais comuns e mais simples, uma folha de papel e um lápis. 

Neste mundo de complexos paraísos tecnológicos, a leitura é simples ainda. Em qualquer cidade civilizada há não só bibliotecas públicas e livrarias abundantes como também bancas de rua em que por um ou dois euros ou dólares pode-se conseguir as obras mais raras, as melhores edições de toda a literatura universal. Com um livro que pode ter custado menos que uma cerveja, o leitor tem a possibilidade de horas extraordinárias de imersão num mundo que será possivelmente mais deslumbrante e mais saudável porque o forçará a prestar atenção a histórias que não têm nada a ver consigo, nem com seus amigos nas redes sociais, nem com sua época, nem com nada que o convença e o confirme suas falhas e seu narcisismo e convença de que viva no centro do mundo e acima do tempo, e que dessa posição pode olhar com condescendência, lástima, inclusive desprezo, todos os que nasceram antes dele, mesmo seus pais ou os romanos do tempo de Augusto. 

Outra característica fundamental destes paraísos é que só se encontram por sorte. Nisso se diferenciam também dos paraísos oferecidos pelas agências de viagens. Alguém tende a organizar demasiadamente suas leituras ou deixar-se guiar pelo que parece urgente ler num determinado momento: a sorte, porém, impõe correções saudáveis, porque retira o leitor de suas obsessões e finda por ser muito mais estimulante que o planejado.

Quando Stendhal era uma criança de luto porque acabava de morrer sua mãe e seu pai era um escabroso fundamentalista que o levou para viver com ele numa casa sombria, descobriu casualmente entre os tomos sisudos da biblioteca paterna uma edição ilustrada do Dom Quixote. Sem saber o que era aquele livro, guiado apenas pelas ilustrações, começou a lê-lo. Durante toda sua vida relembrou com gratidão que a primeira vez que soltou uma gargalhada depois da morte de sua mãe foi lendo o livro de Cervantes.

Recordo dessa gargalhada de Stendhal imaginando, escutando, o que se passa num momento de A cidade e as serras, o grande romance póstumo de Eça de Queiroz. O protagonista, um aristocrata português que vive em Paris ofuscado pela depressão e a abundância de ter tudo, de possuir e manejar todas as novidades do luxo e da tecnologia de então, ri-se às gargalhadas pela primeira vez na metade da narrativa lendo Dom Quixote, que também encontra casualmente porque um contratempo de viagem o há privado de todos os livros que trazia consigo.

Eu vivi um paraíso inesperado de leitor voltando por puro acaso aos romances de Eça de Queiroz, que tanto gostei sempre e que há muito não regressava a eles. Estava noutras leituras muito distantes. Mas numa tarte, no inverno suave de Lisboa, na biblioteca de um hotel muito aconchegante, anacrônico o bastante para ter uma biblioteca e não ter música ambiente, encontrei uma fileira com as obras de Eça em volumes de bolso, capa dura, antigos, com as capas de tecido azul, com páginas de tipografia clara e amplas margens. A biblioteca tinha um terraço que dava para o rio e os muros de Alcântara. Também tinha umas cadeiras de couro perfeitas para a leitura com braços muito desgastados por gerações de hóspedes leitores. Algumas manhãs, o rio e os telhados da cidade e o horizonte desapareciam na névoa. Outras, o ar limpo e o sol tornavam tudo transparente e limpo como recentemente lavado. Eu passava horas lendo As cidades e as serras, tomado por essa maestria ao mesmo tempo jubilosa e ácida de Eça de Queiroz, um romancista que tem a alegria do jovem Dickens dos Pickwick papers, a desmesura cômica de Flaubert e Zola; e além disso, um despudor erótico e uma irreverência religiosa que não tem equivalência no século XIX, e que vem melhor dos enciclopedistas e  dos libertinos do século XVIII, de Diderot e Choderlos de Laclos, com um amor idêntico pelos prazeres terrenos e pela liberdade de espírito.

Volto no avião para Madri, aproximando-me do paraíso leitor que deixei nessa biblioteca de Lisboa, onde terminei de ler A cidade e as serras com essa rara melancolia de despedida de um mundo com que se escrevem os melhores romances. Mas uma parte do paraíso trago comigo, porque venho lendo A relíquia. Não há um romancista que tenha rido tão livremente como Eça de Queiroz da beatice católica e das ridicularidades de uma religiosidade mesquinha e milagreira.

* Este texto foi publicado no jornal El País


sábado, 14 de janeiro de 2017

Boletim Letras 360º #201

Já sabemos qual data faremos o retorno de nossas atividades diárias aqui no blog; em breve divulgamos. Aproveitamos a ocasião para lembrá-los que diariamente, no Facebook, além das notícias de interesse do universo do Letras, continuamos com a retrospectiva: uma forma de visitar algumas das matérias mais interessantes que publicamos durante o ano anterior. Outra lembrança: findamos a promoção que sorteou dois leitores para levar um dos títulos à sua escolha. A promoção começou com uma enquete que resultou na lista de leituras preferidas de 2016. Em breve, os sorteados receberão, de surpresa, os seus brindes. No mais, vamos saber as notícias desta semana em nossa página no Facebook? Sim, chegamos aos 53 mil leitores! Viva! Só temos a agradecer!

Yukio Mishima. Encontrada entrevista inédita do escritor japonês. Mais detalhes ao longo deste Boletim.


Segunda-feira, 09/01

>>> Morreu Zygmunt Bauman

O sociólogo nasceu na Polônia em 19 de novembro de 1925. Serviu na Segunda Guerra Mundial pelo exército da União Soviética e conheceu sua companheira, Janine Bauman, nos acampamentos de refugiados poloneses. Nos anos 1940 e 1950 foi militante entusiasmado do Partido Comunista Polonês, até se desligar da organização devido ao fracasso da experiência socialistas no leste europeu. Graduado em sociologia na URSS e, por seu status de combatente, conseguiu ascender socialmente: saiu da condição modesta que seus pais lhe propiciaram durante a juventude e tornou-se professor universitário. Iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, de onde foi afastado em 1968, após ter vários livros e artigos censurados. Emigrou então da Polônia, por motivo de perseguições antissemitas, e na Grã-Bretanha tornou-se professor titular da Universidade de Leeds (1971 em diante). Recebeu os prêmios Amalfi (1989, por sua obra Modernidade e Holocausto) e Adorno (1998, pelo conjunto de sua obra). Sua tese sobre a modernidade líquida é uma das que melhor qualificam a contemporaneidade, tempo sobre o qual mais se dedicou a pensar em todas as suas mais diversas manifestações: na economia, política, sociedade e cultura.

Terça-feira, 10/01

>>> Brasil: Ganha edição agora em 2017, O que é o fascismo e outros ensaios, de George Orwell

A produção ensaística do autor de 1984 e de A revolução dos bichos é vasta, mas pouco editada no Brasil. Entre os títulos do gênero fáceis de encontrar no mercado estão Literatura e política. Jornalismo em tempos de guerra (Zahar), Na pior em Paris e Londres e Como morrem os pobres e outros ensaios (Companhia das Letras). Em 2017 a lista será ampliada. O que é o fascismo e outros ensaios. O livro é uma reunião de ensaios de cunho político sobre um dos períodos mais graves da história da humanidade: o de ascensão do fascismo. Logo, de extrema atualidade para os tempos atuais em que, outra vez, o mal mostra suas garras.

>>> Brasil: Manuscritos originais de dois romances e de um poema de Machado de Assis estão agora online

O Arquivo Múcio Leão, da Academia Brasileira de Letras, dirigido pelo Acadêmico e historiador José Murilo de Carvalho, disponibilizou os documentos que, antes, somente podiam ser consultados nos terminais de computadores instalados em sua sede. São os originais dos romances Esaú e Jacó e Memorial de Aires e do poema "O Almada". São arquivos que mostram o processo criativo do autor, inclusive as correções nos textos, assim como mudanças dos nomes de determinadas personagens. Esta é a primeira parte de um processo, que prevê, dentro de pouco tempo a disponibilização de todos os manuscritos do autor, informa a nota no site da ABL. 

Quarta-feira, 11/01

>>> Brasil: Cinco novidades em títulos saem da coleção de edições da Editora Carambaia​

Uma delas, uma caixa com dois livros de H.G. Wells inéditos no Brasil: A guerra no ar e O dorminhoco, traduzidos por Alcebíades Diniz. O primeiro, de 1908, foi inspirado nos voos do Zeppelin na Alemanha, enquanto o segundo, de 1910, sobre um homem que é congelado e acordado 200 anos depois. É só uma das diversas edições de Wells no país no ano em que a obra do escritor cai em domínio público. Outra novidade é uma antologia de novelas não eróticas do Marquês de Sade, conhecido justamente pelos textos político-picantes. O livro ainda sem título é traduzido e apresentado por André Luiz Barros. E, por fim, a Carambaia, promete ainda Imodéstia, capricho e inclinações, de Ronald Firbank e O testamento de um excêntrico, de Júlio Verne.

Quinta-feira, 12/01

>>> Brasil: A edição do romance inédito de Roberto Bolaño, que sai em fevereiro, já está disponível em pré-venda

Publicado no final de 2016 entre uma série de polêmicas no universo de língua espanhola, O espírito da ficção científica chega ao Brasil traduzido por Eduardo Brandão. Ambientado na Cidade do México nos anos 1970, o romance conta a história de Remo Morán e Jan Schrella, dois jovens escritores obcecados por poesia e ficção científica. Enquanto o primeiro tenta incansavelmente encontrar seu espaço na literatura, o segundo passa os dias enviando cartas delirantes a seus autores favoritos de ficção científica. Escrito nos anos 1980 e descoberto agora, esse romance traz todos os elementos que fariam de Bolaño um dos autores mais célebres e importantes da literatura latino-americana. Seus fãs encontrão aqui não apenas a prosa tão facilmente reconhecível   e tão absolutamente inesperada   quanto seus temas mais caros, como a literatura, o amor, a juventude, a amizade, o humor e a rebeldia. Leia mais sobre a obra aqui.

>>> Japão: Encontrada entrevista inédita do escritor japonês Yukio Mishima. A conversa foi gravada em fevereiro de 1970, nove meses antes, portanto, de seu suicídio

A informação é o grupo TBS. A entrevista de 80 minutos de duração foi realizada por um tradutor da obra de Mishima para o inglês e nunca foi ao ar. A fita estava nos arquivos da emissora, mas se desconhece os motivos da gravação e porque nunca foi tornada pública. Na entrevista, o escritor fala sobre sua obra, o que considera seus pontos mais frágeis: "Acredito que o problema de minha literatura é que a estrutura é muito dramática. É um impulso que me é incontrolável. Sou incapaz de escrever um romance como se fosse um rio cujas águas vão fluindo"; sobre a morte: "Sinto que a morte penetrou fisicamente em meu corpo desde o lado de fora"; e da Constituição pacifista de seu país. O escritor considera que o Artigo 9 da Carta Magna, redatada quase integralmente pelas forças de ocupação estadunidenses, é idealista e totalmente possível à reinterpretação. Estava certo: o atual governo do Japão liderado pelo ministro Shinzo Abe aprovou uma polêmica revisão deste artigo para ampliar as competências das Forças de Auto-Defesa. Mishima morreu em 11 de novembro de 1970 aos 45 anos num ritual hara-kiri.

Sexta-feira, 13/01

>>> Brasil: A tradução de José Geraldo Couto para a biografia Clarice, já está em nova edição

Em dezembro noticiamos que o livro Benjamin Moser publicado inicialmente pela Cosac Naify em 2009 sairia pela Companhia das Letras. A segunda biografia da escritora brasileira cuja projeção mundial foi consagrada tem de novo o prefácio de Michael Wood. E estará nas livrarias a partir de março.

>>> Brasil: A Editora 34 prepara para 2017 dois novos títulos de Dostoiévski. 

Um é o volume que, à maneira dos Contos completos, de Liev Tolstói, publicado no finalzinho da Cosac Naify, reunirá a prosa do gênero do autor de Os irmãos Karamázov. Outro é o título Humilhados e ofendidos. Publicado em 1861, este é outro dos romances mais notáveis de Dostoiévski; esta é uma obra que retrata de forma contundente e profunda a vida nas grandes cidades, pelo viés da dura realidade e miséria entre classes na Rússia de seu tempo a partir de situações que envolvem personagens perseguidas por conta de sua condição econômica e social, no entanto, resistentes à hipocrisia e falta de humanidade de seus ofensores.

>>> Brasil: Sai este ano uma nova tradução de Alice Munro, Prêmio Nobel de Literatura de 2013.

Trata-se de O progresso do amor e sai pela Biblioteca Azul. Nos contos dessa antologia, Alice Munro explora os mais íntimos e transformadores momentos de experiência — momentos que formam a vida, momentos de percepção do peso, do poder e da natureza do amor. Uma mulher divorciada regressa à sua casa de infância onde é confrontada com as memórias do confuso mas profundo laço com os seus pais. O quase afogamento acidental de uma criança revela à mãe a fragilidade da confiança entre filhos e pais. Um rapaz, ao recordar um terrível acidente de infância, luta com a responsabilidade que sempre sentira pelo seu infeliz irmão mais novo. Um homem traz a sua amada a uma visita à sua ex-mulher, apenas para se sentir estranhamente próximo da companheira que perdera. Nestas e noutras histórias, Alice Munro revela-se uma vez mais como a contista sensível e compassiva dos nossos tempos. Fala-nos dos recantos mais íntimos de vidas comuns, revela-nos muito sobre nós, as nossas escolhas e as nossas experiências com o amor.

.........................
Sigam o Letras no FacebookTwitterTumblrGoogle+InstagramFlipboard